O Brasil não lidera a adoção de IA generativa na América Latina. Pelo relatório Global AI Diffusion da Microsoft, 20,2% dos brasileiros de 15 a 64 anos usaram uma ferramenta de IA generativa no segundo trimestre de 2026, acima da média mundial de 18,8%, mas atrás de Uruguai, Chile, Argentina, México e outros vizinhos.
O título original deste artigo, publicado em maio, afirmava a liderança regional com base em pesquisas brasileiras que não comparavam países. A versão atualizada em 10 de outubro de 2026 traz o comparativo regional que faltava e separa as três medidas que costumam ser confundidas: uso pela população, uso pelas empresas e uso no marketing dos pequenos negócios.
Onde o Brasil fica no comparativo da América Latina
A Microsoft mede a difusão de IA como a parcela da população de 15 a 64 anos que usou um produto de IA generativa no período, a partir de dados de uso agregados e anônimos dos seus sistemas, ajustados por participação de mercado, acesso à internet e população. O método é o mesmo para todos os países, o que permite a comparação direta. A tabela traz os países latino-americanos listados na mesma página do relatório que o Brasil.
| País | 1º trimestre de 2026 | 2º trimestre de 2026 | Variação (pontos percentuais) |
|---|---|---|---|
| Uruguai | 24,6% | 25,7% | 1,1 |
| Panamá | 23,3% | 24,2% | 0,9 |
| Chile | 22,7% | 24,0% | 1,3 |
| Argentina | 21,9% | 23,4% | 1,5 |
| México | 20,1% | 21,4% | 1,3 |
| Equador | 19,5% | 20,3% | 0,8 |
| Brasil | 19,1% | 20,2% | 1,1 |
| El Salvador | 18,3% | 20,1% | 1,8 |
| Peru | 16,4% | 17,3% | 0,9 |
| Guatemala | 16,4% | 17,3% | 0,9 |
| Honduras | 14,0% | 14,5% | 0,5 |
Fonte: Microsoft AI Economy Institute, Global AI Diffusion Q2 2026, setembro de 2026, tabela por economia. Consulta em 10/10/2026. Costa Rica, Colômbia e República Dominicana aparecem na página anterior da mesma tabela, ordenada da maior para a menor parcela, e a Jamaica tem 25,0%: os quatro também ficam à frente do Brasil.
Dois pontos mudam a leitura. O primeiro é que o Brasil cresceu no mesmo ritmo dos vizinhos, 1,1 ponto no trimestre, e por isso não ganhou posição. O segundo é que o país está acima da média mundial de 18,8%, e bem acima da média do chamado Sul Global, de 16,2%, segundo o mesmo relatório. O resumo correto é “o Brasil está no pelotão do meio da América Latina e acima da média mundial”, e não “o Brasil lidera”.
“O Brasil adotar IA generativa acima da média mundial cria uma janela rara para marcas nacionais. Quem estrutura agora a própria presença como entidade citável larga na frente justamente onde a concorrência ainda trata IA como novidade.”
— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)
O que as pesquisas brasileiras medem, por porte de empresa
Dentro do país, a fonte de referência para empresas é a TIC Empresas 2025, do Cetic.br/NIC.br, divulgada em junho de 2026. Ela pesquisa empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas e mostra que a distância entre pequenas e grandes aumentou: as grandes ganharam 12 pontos em um ano, as pequenas, 5.
| Indicador (TIC Empresas, Cetic.br/NIC.br) | 2024 | 2025 |
|---|---|---|
| Empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas que usam IA | 13% | 17% |
| Pequenas (10 a 49 pessoas ocupadas) | 10% | 15% |
| Grandes (mais de 250 pessoas ocupadas) | 38% | 50% |
| Grandes que desenvolvem IA internamente | 24% | 37% |
| Usuárias de IA que aplicam geração de linguagem natural (texto produzido pela máquina) | 20% | 30% |
Fonte: Cetic.br/NIC.br, TIC Empresas 2025, notícia de 15/06/2026. Consulta em 10/10/2026. A notícia não traz o recorte de empresas médias.
Entre os pequenos negócios, o marketing é o primeiro destino da tecnologia. Levantamento do Sebrae com o FGV IBRE e o Google, feito em setembro de 2025, apontou marketing e divulgação como principal finalidade do uso de IA para 74% dos MEIs e 59% das micro e pequenas empresas. Na população, a TIC Domicílios 2025 contou 32% dos usuários de internet com uso de IA generativa nos três meses anteriores à entrevista, perto de 50 milhões de pessoas.
Nenhuma dessas três pesquisas compara o Brasil com outros países. Elas descrevem o avanço interno, e é nelas que estava apoiada a frase sobre liderança regional. Para comparar países, só o levantamento da Microsoft usa o mesmo método em todos, e ele coloca o Brasil no meio do grupo latino-americano. O impacto dessa adoção no dia a dia das empresas é tema de outro artigo do blog, sobre o impacto da IA generativa na produtividade das empresas brasileiras.
O que isso muda para uma marca brasileira
Um em cada cinco brasileiros em idade ativa já pergunta a um assistente de IA, e a parcela sobe a cada trimestre. Quando o comprador pede a esse assistente uma lista de fornecedores, a resposta é montada a partir do que existe publicado sobre cada empresa, em português e em fontes que o modelo considera confiáveis. A pergunta prática para o marketing é se a sua marca está nessa lista, e o blog trata do teste em como verificar se a sua marca já aparece nas respostas do ChatGPT.
Três ações cabem no mês seguinte à leitura destes números:
- Rodar dez perguntas de compra do seu setor no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity e anotar quais marcas aparecem, para ter a linha de base.
- Conferir se nome, CNPJ, categoria e cidade da empresa estão iguais no site, no LinkedIn, no Google Perfil da Empresa e nos diretórios do setor, porque divergência nesses dados tira a marca da resposta.
- Publicar em português o conteúdo que responde às perguntas do comprador, com dado de fonte nomeada, já que é desse material que o modelo depende para falar do mercado local.
O que impede marcas brasileiras de aparecer costuma ser menos a tecnologia e mais a falta de conteúdo em português que o modelo consiga usar, além da escassez de profissionais que saibam medir citação em IA. Ambas são barreiras de execução, resolvidas com método e calendário, e por isso favorecem quem começa antes.
Fabio Cozman, da USP, defende adaptar essas ferramentas à realidade e à cultura do país, mesmo quando nascem no contexto internacional. Para marcas brasileiras, conteúdo em português bem estruturado faz parte dessa adaptação, porque é uma das fontes de que o modelo depende para responder sobre o mercado local.
“É preciso um esforço para que essas ferramentas sejam adaptadas, mesmo que sejam usadas no contexto internacional, para a realidade e cultura do país”
Fabio Cozman, professor da Escola Politécnica e diretor do C4AI da Universidade de São Paulo (USP), em A sociedade precisa se preparar para usar a IA como uma revolução positiva (Rádio USP / Jornal da USP) (2023).
Fontes: TIC Empresas 2025 e TIC Domicílios 2025 (Cetic.br/NIC.br); Sebrae, FGV IBRE e Google (2025); Microsoft AI Economy Institute, Global AI Diffusion (segundo trimestre de 2026, publicado em setembro de 2026). Consulta em 10/10/2026.
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Leitura essencial sobre o tema no blog: Brasil GEO vs Método GEO IA: Qual escolher em 2026?.
