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Métricas de GEO: as 5 que medem a presença da marca na IA

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

Resposta rápida

Métricas de GEO medem a presença da marca dentro das respostas de IA, e não no clique. As cinco que cabem num painel mensal: taxa de citação, citação com link, share of voice em IA, Entity Consistency Score e estabilidade da menção. Cada uma tem fórmula própria, descrita na tabela abaixo.

Métricas de GEO (Generative Engine Optimization, a otimização de conteúdo para que assistentes como ChatGPT, Gemini e Perplexity citem a marca) são os indicadores que contam quantas vezes, com que precisão e com que constância a sua empresa aparece nas respostas geradas por IA. São cinco: taxa de citação, citação com link, share of voice, consistência de entidade e estabilidade da menção.

A diferença para o painel de SEO está na unidade de medida. O SEO conta posições e cliques numa lista de links; o GEO conta respostas. Por isso as cinco métricas partem de um mesmo insumo: uma lista fixa de perguntas que o seu comprador faria, repetida nos mesmos assistentes, na mesma frequência, com o resultado anotado numa planilha.

“Tráfego deixou de ser o indicador-mestre de marketing. O que importa agora é a frequência com que a sua marca é citada, sintetizada e recomendada pelos motores generativos, porque é nessa camada, antes do clique, que a decisão acontece.”

— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)

As cinco métricas de GEO, com fórmula, fonte do dado e frequência

A tabela reúne o que cada métrica responde, como se calcula, de onde vem o dado e de quanto em quanto tempo vale medir. A frequência acompanha a velocidade com que o número muda: a citação oscila de uma semana para outra, enquanto a consistência de entidade só se move quando alguém corrige um cadastro.

Painel mínimo de GEO: cinco métricas, uma fórmula para cada, todas alimentadas pela mesma lista de perguntas.

MétricaO que respondeFórmulaDe onde vem o dadoFrequência
Taxa de citaçãoA IA menciona a marca quando o comprador pergunta?Respostas que citam a marca ÷ respostas coletadasLista fixa de 20 a 50 perguntas rodada em cada assistenteSemanal
Citação com linkA resposta aponta o seu site como fonte?Respostas com link para o seu domínio ÷ respostas que citam a marcaMesma coleta, anotando as fontes exibidasSemanal
Share of voice em IAQue fatia das menções a marca tem diante dos concorrentes?Menções da marca ÷ menções de todas as marcas do conjunto competitivoMesma coleta, contando cada concorrente citadoMensal
Entity Consistency Score (ECS)Os fatos sobre a empresa batem em todas as plataformas que a IA consulta?1 − (células divergentes ÷ células totais) numa matriz de 10 fatos por 8 plataformasSite, dados estruturados, LinkedIn, Wikidata, diretórios, imprensaTrimestral ou após mudança cadastral
Estabilidade da mençãoOs nomes citados se repetem de uma coleta para a seguinte?Índice de Jaccard entre os nomes de duas respostas consecutivas, só nos pares com algum nomeHistórico da coleta, pergunta a perguntaMensal

Três dessas métricas já têm artigo próprio no blog, com o passo a passo completo. O cálculo da consistência de entidade, com a matriz de fatos e a nota a buscar, está em Entity Consistency Score: o que é, como calcular e qual nota buscar. A comparação com concorrentes ganhou um guia em como medir o share of voice da sua marca em IA diante dos concorrentes. E a armadilha da estabilidade aparente, que engana quem compara respostas vazias, é o tema do estudo BRGEO-1 sobre a estabilidade das menções em IA.

O índice de Jaccard citado na tabela é uma conta simples de semelhança entre dois conjuntos: divide os nomes que aparecem nas duas respostas pelo total de nomes diferentes encontrados nelas. Vale 1 quando as listas são idênticas e 0 quando não têm nenhum nome em comum.

Exemplo com números publicados pela Brasil GEO

Os dois números abaixo vêm de trabalhos que a própria Brasil GEO publicou, e mostram por que a fórmula precisa ser decidida antes da primeira coleta. Em 17 de março de 2026, quando a própria Brasil GEO passou pela matriz pela primeira vez, só um em cada cinco fatos conferidos batia entre o site, os perfis e os diretórios: ano de fundação, categoria e cargos estavam escritos de jeitos diferentes. Esse ECS de 20% está registrado no paper Algorithmic Authority, que Alexandre Caramaschi publicou na SSRN em 20 de abril de 2026. Nas perguntas feitas aos assistentes naquela fase, a empresa às vezes nem aparecia e, quando aparecia, vinha com dados trocados. A taxa de citação de uma marca nessa situação não sobe com mais conteúdo; sobe depois que os cadastros passam a dizer a mesma coisa.

O segundo exemplo é sobre a estabilidade. O estudo BRGEO-1, na versão corrigida de 11 de setembro de 2026, comparou 39.686 pares de respostas da mesma pergunta em datas consecutivas. Em 31.372 deles, ou 79,05%, nenhuma das duas respostas trazia nome de marca. Quem conta esses pares vazios como iguais chega a uma semelhança média de 0,9460 e conclui que tudo está estável; quem considera só os 8.314 pares com algum nome chega a 0,7423. A diferença entre as duas leituras é a diferença entre um painel tranquilo e um painel que mostra marcas entrando e saindo da resposta.

Para a taxa de citação, a conta é direta. Numa lista de 40 perguntas rodada em três assistentes, a coleta gera 120 respostas; se a marca aparece em 18, a taxa é de 15%. O número só ganha sentido quando se repete a mesma lista no mês seguinte, porque o que interessa ao comitê é a variação, e não o retrato isolado.

Pouca empresa tem esse histórico. Segundo pesquisa da McKinsey de outubro de 2025, só 16% das marcas acompanhavam de forma sistemática o próprio desempenho na busca com IA. Começar a coleta agora dá à sua empresa uma série de meses que o concorrente não consegue reconstruir depois, porque as respostas antigas dos assistentes não ficam guardadas em lugar nenhum.

Como montar o painel em quatro semanas

  1. Semana 1, a lista de perguntas. Escreva de 20 a 50 perguntas na linguagem do comprador, separadas por etapa: descoberta do problema (“como reduzir o custo de frete”), comparação (“melhores transportadoras para e-commerce”) e escolha (“a transportadora X atende o Nordeste?”). A lista não muda depois de aprovada, ou a série perde a comparabilidade.
  2. Semana 2, a primeira coleta. Rode a lista no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity, em sessão sem histórico, e registre numa planilha a data, o assistente, a pergunta, as marcas citadas, as fontes com link e se a descrição da sua empresa está correta.
  3. Semana 3, a matriz de entidade. Liste os dez fatos que identificam a empresa (razão social, nome comercial, CNPJ, ano de fundação, sede, categoria, fundador, site, produtos, contato) e confira cada um em oito plataformas. Cada célula divergente entra na fórmula do ECS e vira item de correção.
  4. Semana 4, o primeiro relatório. Calcule as cinco métricas, defina o responsável por cada uma e marque a próxima coleta. No Google Analytics 4, crie um segmento de origem com chatgpt.com, perplexity.ai e gemini.google.com para acompanhar, ao lado, as visitas que os assistentes mandam ao site.

Os dados estruturados entram nesse processo como ferramenta de correção. Quando a matriz da semana 3 mostra o ano de fundação diferente no site e no LinkedIn, o conserto passa por ajustar o texto e o JSON-LD (o bloco de código que descreve a empresa para máquinas, no vocabulário Schema.org) com as propriedades sameAs apontando para os perfis oficiais. O efeito de dar ao modelo uma estrutura em vez de texto solto já foi medido: em benchmark de 2023, a data.world registrou que o GPT-4 acertou 16% das perguntas de negócio feitas sobre um banco SQL e 54% quando as mesmas perguntas foram feitas sobre um grafo de conhecimento.

O que a citação com link pode e não pode prometer

A citação com link mede presença e reputação; cobrá-la como fonte de tráfego leva a metas que o time não consegue cumprir. O Pew Research Center, em estudo publicado em julho de 2025, registrou clique em link citado dentro do resumo de IA do Google em apenas 1% das visitas a páginas que exibiam esse resumo. Uma citação vale porque coloca a marca na lista curta que o comprador leva para a próxima etapa, mesmo quando ele não clica.

Rand Fishkin, autor do estudo de referência sobre buscas sem clique, chega à mesma conclusão para quem define metas: a busca que termina sem clique também gera valor e pede um indicador próprio. No painel de GEO, esse indicador é a taxa de citação.

“Para profissionais de marketing, isso reforça a importância do conteúdo zero-clique: extrair valor de buscas que não terminam em clique.”

Rand Fishkin, CEO e cofundador da SparkToro, em 2024 Zero-Click Search Study: For every 1,000 EU Google Searches, only 374 clicks go to the Open Web. In the US, it’s 360. (SparkToro Blog) (2024). Tradução livre.

O próximo passo é escolher o dono do painel e a data da primeira coleta. Com a lista de perguntas aprovada na primeira semana, o primeiro relatório sai em quatro; a partir do segundo mês, a série mostra se as correções de entidade e de conteúdo estão movendo a taxa de citação ou apenas o volume de publicações.

Leia também, no blog: como o ChatGPT está mudando a forma como buscamos informação na internet.

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Dado de referência: técnicas de Generative Engine Optimization podem aumentar a visibilidade de uma marca nas respostas de mecanismos generativos em até 40% (Aggarwal et al., GEO: Generative Engine Optimization, Princeton University, KDD 2024).

“O que não se mede na busca generativa, não se corrige. Citação, Share of Voice algorítmico e consistência de entidade são os novos indicadores de marca; quem ainda só olha tráfego está medindo o mundo que está acabando.”

Alexandre Caramaschi — Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, ex-CMO da Semantix (Nasdaq), cofundador da AI Brasil
#busca #GEO #IA generativa

Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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