A IA generativa já aumenta a produtividade de empresas brasileiras, mas o ganho está concentrado nas grandes: segundo o Cetic.br, metade das empresas com mais de 250 funcionários usava IA em 2025, contra 15% das pequenas. Os ganhos medidos e publicados aparecem em tarefas de texto e documentos, como auditoria, atendimento e redação.
“A IA generativa eleva a produtividade quando liberta o conhecimento dos silos e o torna acionável. Empresas brasileiras que estruturam esse conhecimento ganham duas vezes: por dentro, em eficiência, e por fora, em citação pelos modelos.”
— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)
Quem usa IA no Brasil, por porte de empresa
Produtividade só aparece onde a ferramenta está em uso, e o primeiro dado a olhar é a adoção. As duas pesquisas oficiais mais recentes medem coisas diferentes: o Cetic.br, núcleo de estudos do Comitê Gestor da Internet, entrevista empresas de todos os setores com 10 ou mais pessoas ocupadas; o IBGE, na PINTEC Semestral, olha só a indústria com 100 ou mais pessoas ocupadas. Por isso os percentuais não se somam nem se comparam diretamente.
Uso de inteligência artificial nas empresas brasileiras: cada linha traz a pesquisa de origem, consultada em 10/10/2026.
| Recorte | Antes | Depois | Pesquisa |
|---|---|---|---|
| Todas as empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas | 13% (2024) | 17% (2025) | TIC Empresas 2025, Cetic.br/NIC.br |
| Pequenas (10 a 49 pessoas) | 10% (2024) | 15% (2025) | TIC Empresas 2025 |
| Grandes (mais de 250 pessoas) | 38% (2024) | 50% (2025) | TIC Empresas 2025 |
| Empresas que usam IA para gerar texto e respostas automáticas (entre as que usam IA) | 20% (2024) | 30% (2025) | TIC Empresas 2025 |
| Grandes empresas que desenvolvem IA internamente | 24% (2024) | 37% (2025) | TIC Empresas 2025 |
| Indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas | 16,9% (2022) | 41,9% (2024) | PINTEC Semestral, IBGE |
A distância entre os portes é o dado que mais pesa para quem decide. Segundo a TIC Empresas 2025, as pequenas são 87% das empresas da amostra e ainda estão em 15% de uso, enquanto metade das grandes já usa IA. A coordenação da pesquisa associa o avanço principalmente à simplificação de processos administrativos e de atividades internas, que é exatamente onde a produtividade costuma ser medida primeiro. A pesquisa ouviu 4.174 empresas por telefone entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.
Na indústria o avanço foi mais rápido. A PINTEC Semestral do IBGE, divulgada em setembro de 2025, registrou que a fatia de indústrias com 100 ou mais pessoas ocupadas usando inteligência artificial passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, mais que o dobro em dois anos.
Ganhos medidos e publicados por empresas brasileiras
Poucas empresas brasileiras publicam o ganho com números, e a maior parte dos casos disponíveis vem de material do fornecedor da tecnologia. Os dois exemplos abaixo têm medida declarada e fonte aberta; devem ser lidos como resultado informado pela empresa e pelo fornecedor, sem auditoria independente.
Eletrobras, auditoria técnica de documentos. No caso publicado pela Automation Anywhere (consultado em 10/10/2026), a empresa de energia automatizou de ponta a ponta a auditoria de documentos técnicos com automação de documentos e IA generativa do Google Cloud, deixando para pessoas apenas as exceções. O resultado informado: 90% menos esforço manual, cerca de 65 mil auditorias automatizadas por ano, 9.360 horas economizadas por ano e mais de US$ 277 mil de economia anual. O próprio material cita 10 mil horas em outro trecho, uma diferença que reforça a leitura do número como ordem de grandeza.
Solinftec, monitoramento de operações agrícolas. O relatório Desbloqueando oportunidades econômicas para o Brasil, publicado pela OpenAI em agosto de 2025, descreve a integração dos modelos da empresa à plataforma Alice AI, da Solinftec, para analisar cenários e automatizar decisões no campo, com redução de até 95% no uso de herbicidas em plantações de soja. O mesmo relatório informa que 20% das mensagens enviadas ao ChatGPT a partir do Brasil tratam de escrita e comunicação, o uso que mais se aproxima do ganho de tempo em tarefas de escritório.
Os dois casos têm algo em comum que vale para qualquer porte: o ganho foi medido numa tarefa específica, repetitiva e com volume conhecido (documentos auditados, hectares monitorados). Projetos que começam por “usar IA na empresa” sem uma tarefa e uma linha de base raramente conseguem provar o resultado depois.
Bill Gates escreveu em 2023 que as empresas vão se distinguir pela qualidade com que usam a IA. Os casos acima confirmam a frase pelo lado prático: a diferença está em escolher a tarefa certa e medir antes e depois, e não em ter acesso à ferramenta, que hoje está ao alcance de qualquer empresa.
“Ela vai mudar o jeito como as pessoas trabalham, aprendem, viajam, recebem cuidados de saúde e se comunicam umas com as outras. Setores inteiros vão se reorganizar em torno dela. As empresas vão se distinguir pela qualidade com que a usam.”
Bill Gates, cofundador da Microsoft e copresidente da Fundação Gates, em The Age of AI has begun (2023). Tradução livre.
Como medir o ganho na sua empresa antes de ampliar o uso
- Escolha uma tarefa com volume. Propostas comerciais, respostas a chamados, conferência de contratos ou relatórios mensais: algo que se repete toda semana e que alguém já cronometra ou consegue cronometrar.
- Registre a linha de base por duas semanas. Tempo médio por unidade, quantidade feita por pessoa e taxa de retrabalho, antes de qualquer ferramenta nova.
- Rode o piloto com um grupo pequeno. Quatro a seis pessoas usando a IA na mesma tarefa, com as mesmas três medidas, por mais duas semanas. Os dados que entram na ferramenta seguem a política de uso da empresa, com conta corporativa quando houver informação de cliente.
- Compare e decida. Se o tempo caiu sem aumentar o retrabalho, amplie para o restante da equipe e repita a medição em 60 dias; se o retrabalho subiu, o ganho aparente está sendo pago por outra pessoa mais adiante no processo.
O custo de esperar também pode ser estimado. O artigo sobre quanto as empresas que adiam a adoção de IA deixam na mesa em 2026 reúne as estimativas de mercado sobre essa perda. Há ainda um efeito de fora para dentro: o comprador também passou a usar assistentes de IA para pesquisar fornecedores, e em fevereiro de 2024 o Gartner previu queda de 25% no volume de buscas em mecanismos tradicionais até 2026, com a demanda migrando para chatbots e assistentes virtuais.
Para uma pequena ou média empresa, o próximo passo cabe em um mês: uma tarefa, duas semanas de linha de base, duas de piloto e uma decisão com número na mão. É esse número, e não a assinatura da ferramenta, que a coloca do lado das grandes na tabela acima.
Leia também, no blog: como o ChatGPT está mudando a forma como buscamos informação na internet.
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