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O Brasil Já Está no ChatGPT. A Sua Marca Também Está?

Alexandre Caramaschi
CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a tran

Em maio de 2026, a empresa Sensor Tower divulgou um relatório chamado “State of Web 2026”. É um estudo que mede quanto tempo os brasileiros passam em cada site, e os resultados surpreenderam até quem já acompanha o mercado digital de perto.

O ChatGPT ficou em 5º lugar entre os sites mais acessados do Brasil no desktop. À frente do Gmail. À frente do Google Docs. À frente do Facebook.

Para quem não está familiarizado com o que isso significa na prática: o ChatGPT é um assistente de inteligência artificial onde você digita uma pergunta e recebe uma resposta elaborada, como se estivesse conversando com um especialista. E os brasileiros já passam mais tempo conversando com ele do que checando e-mail.

Isso não é uma tendência do futuro. É o presente.


Por que isso importa para o seu negócio

Pense em como você toma decisões hoje. Quando precisa contratar um serviço, comprar um produto ou entender um assunto novo, o que você faz? Provavelmente pesquisa no Google, ou cada vez mais, pergunta diretamente para uma IA.

Essa mudança de comportamento cria um problema silencioso para milhares de empresas brasileiras: elas foram construídas para aparecer no Google, mas o consumidor já começou a perguntar em outro lugar.

Quando alguém digita no ChatGPT “qual é a melhor empresa de contabilidade para startups em São Paulo?”, a IA não abre o Google para responder. Ela busca nas informações que aprendeu, nos sites que indexou, nos conteúdos que foram escritos de um jeito que ela consegue entender e citar.

Se a sua empresa não aparece nessas respostas, ela simplesmente não existe para esse consumidor naquele momento.


O que é GEO, explicado sem jargão

GEO significa Generative Engine Optimization, ou em português: otimização para motores generativos. É uma disciplina nova, que surgiu justamente para resolver esse problema.

Enquanto o SEO tradicional, que você provavelmente já ouviu falar, foca em aparecer bem posicionado nas páginas de resultado do Google, o GEO foca em fazer com que a sua marca, os seus serviços e o seu conhecimento apareçam nas respostas geradas por inteligências artificiais como ChatGPT, Perplexity, Google Gemini e Microsoft Copilot.

A diferença prática é enorme.

No Google, o usuário recebe uma lista de links e precisa clicar, ler e decidir. No ChatGPT, ele recebe uma resposta direta, e muitas vezes não clica em lugar nenhum. A IA já fez a curadoria por ele.

Se a IA citar a sua empresa como referência, você ganhou. Se ela citar um concorrente, você perdeu, sem nem saber que a disputa aconteceu.


Como a IA decide quem citar

Essa é a pergunta que toda empresa deveria estar fazendo agora.

Os modelos de linguagem, que é o nome técnico para as IAs que geram texto, aprendem a partir de grandes volumes de conteúdo disponíveis na internet. Eles identificam padrões: quem fala sobre determinado assunto com frequência, com profundidade, com consistência e com credibilidade.

Existem alguns fatores que aumentam as chances de uma marca ser citada por uma IA:

Autoridade tópica. A IA reconhece quando uma empresa ou pessoa é referência em um tema específico. Isso se constrói publicando conteúdo relevante, consistente e aprofundado sobre aquele assunto ao longo do tempo. Não adianta publicar um post e sumir por três meses.

NAP consistency. NAP é a sigla em inglês para Nome, Endereço e Telefone. Quando essas informações sobre uma empresa aparecem de forma idêntica em múltiplos lugares da internet, site, Google Meu Negócio, LinkedIn, diretórios do setor, a IA interpreta isso como sinal de que a empresa é real, estabelecida e confiável.

Conteúdo citável. IAs preferem citar fontes que apresentam dados, datas, números e afirmações claras. Um texto vago e genérico tem menos chance de ser recuperado do que um texto que diz, por exemplo: “segundo o Sensor Tower, os brasileiros passaram mais de 22 bilhões de horas no YouTube no desktop em 2025.”

Share of voice. Quanto mais vezes o nome da sua empresa aparece associado a um determinado tema em diferentes canais e formatos, maior a probabilidade de a IA entender que você é referência naquele campo.


O que os números do Sensor Tower revelam além do óbvio

Voltando ao gráfico que circulou nas redes esta semana: além do ChatGPT em 5º lugar, há outros insights que merecem atenção de quem trabalha com marketing e negócios digitais.

O YouTube lidera com folga, com aproximadamente 22 bilhões de horas de consumo no desktop. Isso indica que o brasileiro ainda consome muito conteúdo em vídeo, e que uma estratégia de GEO que inclua transcrições, artigos baseados em vídeos e conteúdo em texto derivado de produção audiovisual tem muito espaço para crescer.

O WhatsApp aparece em segundo lugar, com cerca de 12 bilhões de horas. Isso é relevante porque reforça um dado que o mercado já sabia: o brasileiro não separa comunicação de consumo de conteúdo. Plataformas de mensagem são canais de distribuição, e conteúdos que chegam via WhatsApp tendem a ter alta taxa de engajamento.

O Google fica em terceiro, ainda muito relevante, mas já compartilhando atenção com uma IA que cresce sem parar. A pergunta não é mais “SEO ou GEO?”. A pergunta certa é “como integrar os dois para cobrir todas as frentes onde o meu cliente busca resposta?”.

O Instagram aparece em quarto, antes do ChatGPT. Isso indica que a jornada do consumidor brasileiro passa por redes sociais antes de chegar às ferramentas de IA, o que reforça a importância de construir presença em múltiplos canais de forma integrada, não isolada.


A janela de oportunidade que está aberta agora

O GEO ainda é novo. A maioria das empresas brasileiras não está investindo nisso, porque não sabem que o problema existe, ou porque acham que é cedo demais.

Não é.

Quando o Google surgiu, as empresas que entenderam SEO nos primeiros anos construíram vantagens competitivas que levaram mais de uma década para os concorrentes alcançarem. A lógica com GEO é a mesma: quem chegar primeiro e construir autoridade tópica agora vai ocupar os espaços nas respostas das IAs antes que o mercado perceba o que está acontecendo.

A diferença é que o ritmo de adoção das IAs é muito mais rápido do que foi o do Google. O ChatGPT alcançou 100 milhões de usuários em dois meses. O Google levou anos. Isso significa que a janela de oportunidade vai fechar mais rápido também.


O que fazer a partir de agora

Se você chegou até aqui e está se perguntando por onde começar, aqui vai um caminho prático:

O primeiro passo é entender como a sua empresa aparece hoje nas respostas das principais IAs. Pesquise o nome da sua empresa, os serviços que você oferece e os problemas que você resolve no ChatGPT e no Perplexity. O que aparece? A sua marca é citada? Ou os resultados trazem concorrentes?

O segundo passo é auditar o conteúdo que você já tem. Site, blog, LinkedIn, materiais de imprensa, tudo isso pode (e deve) ser otimizado para que as IAs consigam lê-lo, entendê-lo e citá-lo. Muitas vezes pequenas mudanças na forma de escrever fazem grande diferença.

O terceiro passo é construir uma estratégia de autoridade tópica consistente. Isso significa definir os temas pelos quais a sua empresa quer ser reconhecida, e publicar conteúdo de qualidade sobre esses temas de forma regular, em formatos que as IAs conseguem indexar.


Uma última reflexão

O dado do Sensor Tower é uma fotografia do presente. Daqui a um ano, o ChatGPT pode estar em terceiro lugar. Ou em primeiro. O que o gráfico nos diz, com clareza, é que a transição já começou, e ela não vai voltar atrás.

As marcas que vão liderar o mercado nos próximos anos não serão necessariamente as maiores ou as mais antigas. Serão as que entenderam, antes das outras, que a disputa por atenção mudou de endereço.

O Google continua importante. Mas o consumidor brasileiro já está no ChatGPT também.

Alexandre Caramaschi

CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a transição estratégica das empresas brasileiras do modelo de "links azuis" para a era da resposta sintética e do comércio agêntico. Ex-CMO da Semantix e fundador da comunidade AI Brasil, Caramaschi consolidou sua trajetória como uma liderança reconhecida no ecossistema de inteligência artificial e marketing.À frente da Brasil GEO, conduzindo a missão de garantir que marcas brasileiras conquistem share of voice em motores generativos, fundamentado na tese de que, na nova economia dos agentes inteligentes, a autoridade algorítmica é o único caminho para evitar a invisibilidade digital.

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