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GEO multimodal: como ser citado quando a busca usa voz e imagem

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

Para ser citado pela IA quando a busca usa voz e imagem, descreva cada imagem, vídeo e áudio em texto que o modelo consiga recuperar, porque a foto ou o comando de voz vira texto antes de a IA buscar as páginas que vai citar. GEO multimodal é a prática de otimizar texto, imagem, vídeo e áudio para que a marca apareça nas respostas de IA também quando a pergunta chega pela voz ou pela câmera.

Mais de uma em cada seis buscas nos EUA já é por voz ou imagem, segundo a cobertura do Google I/O 2026, e o AI Mode do Google (o modo de respostas geradas por IA da Busca) é multimodal por padrão. Os requisitos para a página entrar nesse modo estão em o que é o Modo IA do Google e como a sua página aparece nele.

Relógios, fones e óculos conectados, os chamados wearables, levam essa busca a momentos ainda mais curtos, tema do texto sobre micro-momentos na era do GEO.

“A busca deixou de ser um campo de texto. Quando a pergunta chega por voz ou por imagem, a marca que descreveu mal o próprio mundo simplesmente desaparece da resposta, porque o modelo não consegue traduzir o que ela nunca tornou legível.”

— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)

A busca parou de ser uma caixa de texto

No Google I/O 2026, um número me fez parar de rolar a tela. Segundo a cobertura do evento, mais de uma em cada seis buscas nos Estados Unidos já usa voz ou imagem, não texto digitado. Não é uma curiosidade de bastidor. É o sinal de que a interface pela qual sua marca é encontrada deixou de ser uma caixa retangular onde alguém digita três palavras.

A procedência desse dado merece uma ressalva. Ele aparece de forma consistente na cobertura especializada do I/O 2026 (por exemplo, no Marketing4eCommerce), atribuído ao próprio Google, mas eu não localizei a métrica exata em um post primário oficial. Trato como direcional, não como número fechado. Ainda assim, a direção é inequívoca: o AI Mode da Busca nasceu multimodal. Você fotografa, fala, aponta a câmera, e a IA responde montando uma síntese a partir de fontes que ela escolhe citar.

A pergunta que importa para quem dirige conteúdo é simples e desconfortável: quando a consulta não é texto, sua marca ainda é uma das fontes citadas? Passei os últimos meses testando isso na Brasil GEO, e a resposta padrão da maioria das empresas é não. Elas otimizaram a página para ser lida. Esqueceram que agora ela precisa ser vista, ouvida e reconhecida.

O que o I/O 2026 confirmou de fato (e o que é ruído)

Separar o que o Google declarou oficialmente do que a imprensa amplificou é parte do meu trabalho. Faço isso antes de recomendar qualquer tática, porque construir estratégia em cima de número inflado é a forma mais cara de errar.

Oficial e verificável, conforme o post oficial do Google sobre a Busca no I/O 2026 e o blog do Google em português: a Busca entrou na “era dos agentes”, o AI Mode passou a ter o Gemini 3.5 Flash como modelo padrão globalmente, e o Google posiciona isso como a maior atualização em mais de 25 anos. O AI Mode aceita entradas multimodais de forma nativa.

Cobertura secundária, plausível mas não confirmada em fonte primária: o AI Mode teria ultrapassado 1 bilhão de usuários ativos mensais, com consultas que dobram a cada trimestre e uma consulta média três vezes mais longa que a busca tradicional. E o número que abre este guia: mais de 1 em 6 buscas por voz ou imagem nos EUA. Repito por disciplina: esses quatro últimos vêm de veículos especializados que atribuem ao I/O, não de um post oficial que eu tenha conseguido validar.

Afirmação sobre a busca no I/O 2026ProcedênciaComo tratar
AI Mode com o Gemini 3.5 Flash como modelo padrão globalPost oficial do GoogleFato
Maior atualização da Busca em mais de 25 anosPost oficial do GooglePosicionamento declarado pelo próprio Google
Entradas multimodais nativas no AI ModePost oficial do GoogleFato
AI Mode acima de 1 bilhão de usuários mensaisCobertura secundária do evento; depois informado pela Alphabet na teleconferência do segundo trimestre de 2026Fato a partir do balanço
Consultas que dobram a cada trimestreCobertura secundáriaDirecional
Consulta média três vezes mais longa que a busca tradicionalCobertura secundáriaDirecional
Mais de uma em cada seis buscas nos EUA por voz ou imagemCobertura secundáriaDirecional
O que o I/O 2026 confirmou e o que ficou como sinal direcional, segundo a procedência descrita neste guia.

Por que a distinção importa para você? Porque a tese não depende do número exato. Se a consulta média triplicou de tamanho e parte relevante dela já é falada ou fotografada, o conteúdo que vence é o que responde a perguntas longas, conversacionais e ancoradas em contexto visual. Mesmo que seja “apenas” 14% das buscas e não 17%, a mudança de comportamento é estrutural. Em dossiê sobre o Core Update de maio de 2026 eu detalho como a virada para experiência reorganizou o topo dos resultados, e a multimodalidade é a outra face dessa mesma moeda.

Como a IA realmente lê uma imagem e um áudio

Antes de qualquer checklist, é preciso entender o mecanismo. Quando o Google AI Mode recebe uma foto via Lens ou um comando de voz, ele não “vê” como você. Ele faz duas coisas em paralelo. Primeiro, modelos de visão e áudio convertem a entrada em uma representação semântica (o que está na cena, qual objeto, qual intenção falada). Segundo, esse significado vira uma ou várias subconsultas de texto, que disparam o mesmo motor de recuperação (RAG) que alimenta a busca textual.

Essa é a sacada que muda tudo: a imagem que o usuário fotografou vira texto antes de buscar suas páginas. Logo, o que decide se você é citado não é a imagem dele. É o quão bem o seu conteúdo, com seus textos alternativos, suas legendas, seus dados estruturados e suas transcrições, casa com a subconsulta gerada. A multimodalidade entra pela porta do usuário, mas sai pela porta do texto recuperável.

Liz Reid, chefe do Google Search, descreveu o motor por trás desse processo. Depois que a foto ou a voz vira texto, a pergunta é decomposta em várias buscas, e cada uma delas é uma chance a mais de a página ser recuperada, desde que o contexto textual cubra os subtemas.

O AI Mode esteve no centro do Google I/O 2026, ao lado de Information Agents e Deep Search, e o que mudou para quem produz conteúdo está no balanço do Google I/O 2026.

“Por baixo dos panos, o AI Mode usa nossa técnica de query fan-out, que decompõe a sua pergunta em subtemas e dispara uma série de buscas simultâneas em seu nome.”

Liz Reid, vice-presidente e chefe do Google Search, em AI in Search: Going beyond information to intelligence (blog.google, Google I/O, 20/05/2025) (2025). Tradução livre.

Há evidência de que estruturar bem esse contexto ajuda. O research que reuni mostra que conteúdo multimodal genuíno (texto mais imagens originais mais vídeo com dados estruturados coerentes) aparece com frequência desproporcional em respostas generativas, e que o YouTube virou uma das fontes mais citadas pelos assistentes. Eu trato isso como correlação observada pela comunidade, não como lei da física. Mas a lógica é sólida: a IA prefere fontes onde texto, imagem e vídeo contam a mesma história sem contradição. Explorei o lado do vídeo com profundidade em YouTube para GEO, e recomendo a leitura como complemento direto deste guia.

Como o modelo junta imagem, som e texto

Os modelos de fronteira deixaram de tratar foto e texto como processos separados. O Gemini 2.0, anunciado pelo Google em dezembro de 2024, já era apresentado como nativamente multimodal, e a geração que hoje roda no AI Mode herdou essa base. Na prática, pixel, fonema e palavra são convertidos em representações que vivem no mesmo espaço matemático, o que permite comparar uns com os outros.

O mecanismo que faz essa comparação se chama atenção cruzada (cross-attention). Pense em quem lê um manual com uma foto ao lado: a cada frase, o olho volta ao trecho da imagem que importa para ela. O modelo faz algo parecido, ponderando quais partes da imagem, do quadro de vídeo ou do áudio ajudam a responder a pergunta, e combina essas pistas durante o processamento, não só no final. A consequência para o conteúdo é direta. Se o vídeo mostra uma coisa e o texto da página diz outra, a resposta perde coesão, e a fonte que gerou a contradição perde a confiança do sistema.

Imagens: alt text descritivo e schema ImageObject

A maior parte das marcas trata o atributo alt como obrigação de acessibilidade ou keyword stuffing. As duas leituras estão erradas para GEO. O alt text é a tradução textual da sua imagem que a IA vai indexar. Se ele for genérico, sua imagem some do pool de recuperação multimodal.

O que eu faço, na prática:

Um detalhe técnico que custa caro quando ignorado: dados estruturados precisam ser coerentes com o que está visível. O Google sinaliza divergência entre schema e conteúdo como spam de dados estruturados. Não descreva no ImageObject uma legenda que não aparece na página. A consistência entre a camada visível e a camada estruturada é o mesmo princípio que sustenta toda a sua presença de entidade, algo que destrincho em como estruturar Schema.org para IA generativa.

Busca visual: otimizar para Lens e Circle to Search

Quando alguém aponta a câmera (Google Lens) ou circula um objeto na tela (Circle to Search), a IA tenta identificar o que é aquilo e responder. Para produtos e serviços com componente visual, esse é o canal mais subexplorado de 2026.

A otimização aqui é menos sobre código e mais sobre fidelidade visual. O que recomendo:

  1. Use imagens reais, originais e de alta resolução do seu produto, serviço ou caso. Bancos de imagem genéricos não casam com a foto que o usuário tirou do mundo real.
  2. Mostre o produto em múltiplos ângulos e contextos de uso. A busca visual casa por similaridade; quanto mais variações reais você publica, maior a chance de bater com a foto do usuário.
  3. Conecte cada imagem a um bloco de texto que responde a pergunta provável. Quem fotografa um objeto geralmente quer saber “o que é isto”, “quanto custa”, “onde compro”, “como uso”. Tenha esse texto perto da imagem.
  4. Para negócio local, capriche no Google Business Profile e no schema LocalBusiness. Boa parte da busca visual termina em “onde encontro isto perto de mim”, e aí entra a camada de presença local que decide a recomendação.

Não vou vender milagre. Não existe um botão “otimizar para Lens”. O que existe é um princípio: a IA visual recompensa quem publica evidência visual abundante, real e textualmente explicada. Isso é trabalho de produção de conteúdo, não de truque técnico.

Voz e áudio: a pergunta falada é longa e conversacional

Busca por voz tem uma assinatura linguística própria. Ninguém fala “consultoria GEO São Paulo”. As pessoas falam “qual consultoria me ajuda a aparecer no ChatGPT quando alguém pergunta sobre o meu setor”. Se a consulta média do AI Mode triplicou de tamanho, como indica a cobertura do I/O, parte desse alongamento vem exatamente da fala.

O que eu otimizo para a busca falada:

Áudio e vídeo pedem um cuidado a mais, porque a transcrição só captura o que a gravação deixa ouvir:

A regra mental que carrego: todo conteúdo não-textual precisa de uma sombra textual de qualidade. A imagem precisa do alt e da legenda. O vídeo precisa da transcrição e do capítulo. O áudio precisa do transcript. A IA cita a sombra, não o original. Quem entende isso para de tratar transcrição como tarefa chata de acessibilidade e passa a tratá-la como ativo de recuperação.

Do outro lado, as ferramentas que geram essas imagens e vídeos já mudaram o trabalho de design, como mostra o panorama de IA generativa de imagens e vídeos.

Por que voz e imagem já pesam no Brasil

O volume de conversas com assistentes no país já justifica tratar esses formatos como canal. Em agosto de 2026, a OpenAI informou à imprensa que os brasileiros enviam cerca de 215 milhões de mensagens por dia ao ChatGPT, 54% acima dos 140 milhões de novembro de 2025, segundo a Forbes Brasil. Em cada uma dessas conversas, a pergunta pode chegar digitada, falada ou como foto, e o formato que a marca deixou sem sombra textual é uma parte das respostas em que ela não tem como aparecer.

A aposta da indústria vai na mesma direção. Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, trata óculos que veem e ouvem o que o usuário vê e ouve como o principal dispositivo de computação dos próximos anos. Se a previsão se confirmar, a consulta multimodal deixa de ser exceção, e a descrição textual de cada imagem e vídeo passa a ser a porta de entrada da marca.

“Dispositivos pessoais como óculos, que entendem nosso contexto porque conseguem ver o que vemos, ouvir o que ouvimos e interagir conosco ao longo do dia, vão se tornar nossos principais dispositivos de computação.”

Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, em Personal Superintelligence (2025). Tradução livre.

Checklist prático de GEO multimodal

Reuni o que aplico em auditoria, em ordem de impacto. Comece pelo topo.

  1. Reescreva os alt text das 50 imagens mais importantes para descrição concreta da cena, com entidade e número visível incluídos.
  2. Adicione legenda visível (figcaption) a toda imagem editorial relevante, repetindo o dado que a imagem mostra.
  3. Implemente ImageObject em JSON-LD nas imagens autorais, coerente com a legenda visível.
  4. Publique transcrição completa de todo vídeo e áudio próprio, com VideoObject ou AudioObject contendo o campo transcript.
  5. Transforme headings em perguntas naturais e coloque uma cápsula de resposta de 120 a 150 caracteres logo abaixo de cada uma.
  6. Adicione schema Speakable às cápsulas de resposta principais.
  7. Garanta imagens reais e de alta resolução de produtos e serviços, em múltiplos ângulos, para a busca visual.
  8. Verifique a paridade schema-conteúdo: nada no JSON-LD que não esteja visível na página.
  9. Para negócio local, atualize o Google Business Profile e o schema LocalBusiness, fechando o ciclo busca visual para recomendação local.
  10. Meça a citação em busca multimodal: rode prompts de voz e imagem nos assistentes e registre se sua marca aparece, antes e depois das mudanças.

Esse checklist não é um ritual de uma semana. É um novo padrão de produção: toda peça nasce com sombra textual. Se você ainda está mapeando onde GEO, SEO e AEO se sobrepõem nessa nova superfície, o artigo GEO vs SEO vs AEO esclarece o que muda na prática e ajuda a evitar a falsa escolha entre as camadas.

A comparação entre as três frentes, incluindo o AEO (otimização para motores de resposta), também está aqui no blog, em GEO, SEO e AEO: o que muda na prática em 2026.

O que eu recuso a fazer (e por quê)

Honestidade intelectual me obriga a dizer o que não funciona, mesmo quando vende bem.

Recuso encher alt text de keyword. alt="GEO consultoria GEO IA GEO marca" não ajuda a IA a entender a imagem e arrisca sinal de spam. A IA recupera por significado, não por densidade de termo.

Recuso prometer “otimização para Lens” como produto fechado. Não existe alavanca dedicada. Existe disciplina de evidência visual abundante e textualmente explicada. Quem promete o botão mágico está vendendo o ritual técnico que o próprio Google já desmontou, tema que tratei sem rodeios ao discutir por que o jogo mudou de tática para fundamento.

Recuso fabricar número. Não vou afirmar que a busca multimodal é exatamente 17,3% das buscas globais quando o que tenho é uma estimativa de cobertura secundária para os EUA. Construir estratégia em cima de dado inventado é dívida que vence na pior hora, na frente do board.

O que eu faço, em vez disso: aplico o princípio da sombra textual a tudo, meço a citação real em busca falada e visual, e itero. A multimodalidade não é uma nova mágica. É a mesma exigência de qualidade, agora cobrada em três sentidos ao mesmo tempo.

Próximo passo: audite uma página esta semana

Não tente refazer o site inteiro. Escolha a página que mais importa para o seu negócio e faça uma auditoria multimodal nela, hoje. Liste cada imagem e pergunte: o alt descreve a cena? A legenda repete o dado? Existe um ImageObject coerente? Há um vídeo sem transcrição? Um heading que poderia ser pergunta falada com cápsula de resposta logo abaixo?

Depois, faça o teste que mais ensina: pegue o celular, fotografe ou fale a pergunta que um cliente faria, e veja se a IA cita você. Se não citar, você acabou de encontrar exatamente onde investir. A busca deixou de ser uma caixa de texto. A boa notícia é que o critério continua sendo qualidade, agora em voz, imagem e texto ao mesmo tempo. Quem produz evidência real, e dá a ela uma sombra textual impecável, continua sendo a fonte que a máquina escolhe citar.

Para fechar o ciclo da decisão executiva, vale ler o guia oficial que o Google publicou em 15 de maio de 2026 sobre otimização para IA generativa na Busca. Ele confirma, com a assinatura do próprio Google, que otimizar para essas experiências é, no fundo, fazer bem o trabalho de conteúdo. A multimodalidade só elevou o teto desse trabalho.

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Dado de referência: técnicas de Generative Engine Optimization podem aumentar a visibilidade de uma marca nas respostas de mecanismos generativos em até 40% (Aggarwal et al., GEO: Generative Engine Optimization, Princeton University, KDD 2024).

Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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