Inteligencia Artificial

OpenAI compra a Ona para fortalecer o Codex e a era dos agentes

Alexandre Caramaschi
CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a tran

A OpenAI anunciou a aquisição da startup Ona, especializada em orquestração e execução em nuvem. O movimento reforça a aposta da empresa em agentes de IA capazes de operar de forma autônoma e contínua, mesmo sem a presença ativa do usuário.


O que é a Ona e por que a aquisição importa

A Ona desenvolveu uma tecnologia que cria ambientes seguros e persistentes para agentes de IA. Na prática, isso significa que um agente pode acessar ferramentas, sistemas e contexto necessários para continuar um trabalho, mesmo quando o computador do usuário está desligado.

A empresa afirma ter ajudado 2 milhões de desenvolvedores a colocar projetos na nuvem. Seu modelo de execução pode ser controlado pelo próprio cliente e permite que o agente opere dentro da infraestrutura da organização, o que é especialmente relevante para empresas que lidam com dados sensíveis e sistemas internos.

Os termos financeiros da aquisição não foram divulgados.


Codex além dos desenvolvedores

O Codex, ferramenta de programação da OpenAI, já conta com mais de 5 milhões de usuários semanais, um crescimento de 400% em relação ao início de 2026. Até pouco tempo atrás, o produto era voltado principalmente para desenvolvedores. Agora, a OpenAI ampliou o escopo para incluir profissionais de marketing, operadores, pesquisadores, criadores de conteúdo e investidores.

Com a chegada da tecnologia da Ona, o Codex passa a oferecer uma capacidade antes ausente: delegar tarefas mais complexas sem precisar manter o dispositivo ativo. A empresa quer que seus usuários consigam “delegar trabalhos mais ambiciosos sem permanecer presos à máquina onde começaram”.

Além disso, a ferramenta ganhou plugins por função profissional, anotações para refinamento de resultados e a capacidade de criar sites e aplicativos interativos publicáveis diretamente na web.


O que isso revela sobre a estratégia da OpenAI

A aquisição da Ona não é um movimento isolado. Ela integra uma sequência de aquisições estratégicas da OpenAI nos últimos meses, todas voltadas à expansão da capacidade dos seus agentes.

Em março de 2026, a empresa adquiriu a Promptfoo, plataforma de segurança de IA focada em identificar e remediar vulnerabilidades em modelos. Antes disso, a Neptune, startup polonesa especializada em análise de progresso durante o treinamento de modelos, foi incorporada ao portfólio. Em outubro de 2025, a OpenAI comprou a Software Application, empresa criada por um ex-funcionário da Apple, conhecida pelo assistente virtual Sky, capaz de reconhecer conteúdo de tela e executar ações no ambiente do usuário.

O padrão é claro: a OpenAI está construindo uma camada de infraestrutura para agentes que possam atuar de forma contínua, segura e integrada ao ambiente corporativo.


O que muda para marcas e negócios

Do ponto de vista de presença em mecanismos de busca generativa, essa movimentação tem implicações diretas.

Agentes que operam de forma autônoma e contínua vão consumir, processar e citar conteúdo de forma cada vez mais independente do comportamento de busca humano. Isso significa que o conteúdo precisa estar estruturado para ser recuperado e citado por sistemas automatizados, e não apenas encontrado por pessoas.

Marcas que ainda dependem exclusivamente de tráfego orgânico tradicional vão enfrentar um cenário em que o intermediário entre o conteúdo e o usuário final é um agente, e não um mecanismo de busca convencional.

A pergunta que cada negócio precisa responder agora é: quando um agente como o Codex buscar informações sobre o seu setor, a sua marca aparece como fonte confiável?


Autoridade de marca na era dos agentes

A aquisição da Ona acelera um processo que já estava em curso: a consolidação de plataformas de agentes com capacidade de execução persistente. Para as marcas, isso reforça a urgência de construir autoridade temática real, conteúdo estruturado e presença citável antes que esse mercado se consolide.

Quem investe em GEO agora está posicionando a marca para ser referência no momento em que agentes autônomos decidirem de onde extrair informação.

Alexandre Caramaschi

CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a transição estratégica das empresas brasileiras do modelo de "links azuis" para a era da resposta sintética e do comércio agêntico. Ex-CMO da Semantix e fundador da comunidade AI Brasil, Caramaschi consolidou sua trajetória como uma liderança reconhecida no ecossistema de inteligência artificial e marketing.À frente da Brasil GEO, conduzindo a missão de garantir que marcas brasileiras conquistem share of voice em motores generativos, fundamentado na tese de que, na nova economia dos agentes inteligentes, a autoridade algorítmica é o único caminho para evitar a invisibilidade digital.

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