Inteligência Artificial

OpenAI aperta, Google adia o Gemini 3.5 Pro e a citação muda

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

A OpenAI não precisou de anúncio para vencer o mês de julho. Bastou o silêncio do Google. A Bloomberg apurou que o Gemini 3.5 Pro atrasou meses em relação ao cronograma anunciado por Sundar Pichai no Google I/O. Enquanto isso, dez funcionários atuais e antigos relataram frustração interna, porque rivais como OpenAI e Anthropic entregam modelos que superam o Gemini em áreas decisivas. As ações da Alphabet caíram quase 3% no dia da notícia.

Para quem produz conteúdo, esse episódio vale mais do que uma manchete de mercado. Ele mostra onde a citação por IA mora hoje. Além disso, revela com que velocidade ela muda de endereço.

Por que o Google adiou o Gemini 3.5 Pro?

O motivo do atraso surpreende. Não houve mudança de rota no produto. Segundo as fontes, o Google seguiu ajustando as capacidades gerais do modelo, sobretudo em programação, que virou a arena mais disputada de 2026. A empresa atualizou os dados de treino no mês passado. Contudo, os resultados internos ficaram abaixo do esperado.

Existe também um fator estrutural. O Google reúne várias camadas de interessados antes de liberar um modelo. Ao mesmo tempo, tenta integrar inteligência artificial a busca, Maps e YouTube. Portanto, cada lançamento carrega o peso de um portfólio inteiro. A OpenAI e a Anthropic carregam bem menos.

O portfólio pesa porque a base é enorme. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, a Alphabet informou que o app Gemini chegou a 950 milhões de usuários ativos mensais e que o AI Mode da busca passou de 1 bilhão de usuários mensais. Um modelo que chega a esse público de uma vez não pode sair com desempenho fraco em programação, e o atraso é o preço de lançar nessa escala.

Enquanto o Google alinha stakeholders, a OpenAI publica. Quem publica primeiro define o vocabulário que o mercado repete depois.

O que OpenAI, Anthropic e Google disputam de fato?

A briga aparenta ser por benchmark. Na prática, ela é por atenção. Cada modelo entrega uma resposta única ao usuário, com poucas fontes citadas. Ou seja, a disputa por posição no Google virou disputa por presença dentro de um parágrafo gerado.

Esse detalhe muda a matemática do marketing. Dez posições orgânicas viram um punhado de citações. Assim, o custo de ficar fora sobe muito.

A queda de clique já tem medida. Segundo atualização da Ahrefs publicada em fevereiro de 2026, a presença de um AI Overview reduz em 58% a taxa de cliques da página na primeira posição, ante 34,5% na medição de abril de 2025. Se até o primeiro lugar orgânico perde mais da metade dos cliques, a posição que vale é a de fonte dentro da resposta.

Entrar nessas poucas citações ainda gera visita. Segundo o Digital News Report 2026, do Reuters Institute, 42% de quem usa chatbots de IA para se informar sobre notícias diz clicar sempre ou com frequência nas fontes originais citadas nas respostas. O recorte é de notícias e não de compras, mas indica que a citação continua sendo uma porta de entrada para o site citado.

CenárioOnde o usuário decideMarcas visíveisO que define a escolha
Busca clássica em 2015Página de resultados10 links por páginaAutoridade de domínio e cliques
Busca com IA em 2026Resposta geradaPoucas fontes citadasDensidade de evidência e frescor
Assistente de código em 2026Editor do desenvolvedor1 sugestão aceitaPrecisão técnica e rastreabilidade

O atraso do Gemini 3.5 Pro produz um efeito imediato nessa tabela. Por alguns meses, o tráfego de citação em programação tende a se concentrar na OpenAI e na Anthropic. Depois, quando o modelo chegar, a distribuição se reorganiza outra vez.

Por que otimizar para um único motor de IA envelhece rápido?

Muita empresa brasileira otimiza para um motor específico. Essa aposta envelhece rápido. O episódio do Gemini prova o ponto em uma única semana de notícias.

E a disputa tem mais de dois competidores: o aporte que pôs a Perplexity na disputa pelas buscas mostra um terceiro nome ganhando fôlego.

A liderança entre modelos dura meses. A estrutura do seu conteúdo precisa durar anos.

A saída passa por escrever para o mecanismo de recuperação, e não para a marca do modelo. Todos eles buscam o mesmo tipo de material. Primeiro, procuram um trecho que responda à pergunta de forma isolada. Em seguida, verificam dados, fontes e datas. Por fim, avaliam se a passagem sobrevive fora do contexto original.

Krishna Madhavan, da Microsoft, descreve a disputa nesse mesmo nível de granularidade: o que entra na resposta é o trecho, e a página inteira pesa menos. Isso reforça a aposta em estrutura, porque um trecho que responde sozinho serve a qualquer motor, seja qual for o líder do trimestre.

“Na busca com IA, o ranqueamento continua existindo, mas tem menos a ver com ordenar páginas inteiras e mais com quais trechos de conteúdo conquistam lugar na resposta final.”

Krishna Madhavan, Principal Product Manager da Microsoft AI (Bing Web Data Platform), da Microsoft, em Optimizing Your Content for Inclusion in AI Search Answers (Microsoft Advertising Blog, 08/10/2025) (2025). Tradução livre.

OpenAI, Gemini e Claude recompensam o mesmo comportamento editorial

Considere quatro movimentos concretos, aplicáveis ainda nesta semana.

  1. Escreva cápsulas de resposta. Abra cada seção com duas ou três frases que respondam à pergunta sozinhas. Assim, o trecho vira material citável sem depender do parágrafo anterior.
  2. Cite fontes primárias. No experimento de Princeton sobre GEO (Aggarwal et al., KDD 2024), citar fontes no texto aumentou a visibilidade nas respostas geradas. Portanto, trate o link externo como ativo, jamais como fuga de tráfego.
  3. Use números datados. Diga “queda de quase 3% nas ações da Alphabet em 16 de julho de 2026”. Evite “impacto relevante no mercado”.
  4. Renove o material antigo. Modelos priorizam frescor em pautas de tecnologia. Como resultado, um artigo de 2024 sobre modelos perde citação mesmo com bom tráfego.

Por que a OpenAI empresta o seu público em vez de entregar?

Existe um risco silencioso nesse ciclo. A empresa vê a citação subir em um motor e conclui que venceu. Depois, o concorrente lança um modelo melhor, e a curva despenca sem aviso. O caso do Gemini 3.5 Pro mostra a inversão pelo outro lado, com o líder de infraestrutura preso na própria complexidade.

Avalie o seu conteúdo com uma pergunta simples. Se cada motor generativo trocasse de posição amanhã, quanto da sua visibilidade sobreviveria?

Empresas que respondem “quase tudo” investiram em estrutura. Empresas que respondem “quase nada” investiram em sorte.

O que fazer com a janela aberta pelo atraso

O adiamento cria uma janela curta. Enquanto o Gemini 3.5 Pro passa por testes com parceiros, a pauta de programação com IA fica dominada por OpenAI e Anthropic. Logo, o material publicado agora entra na fase em que os índices de citação se consolidam.

Priorize três frentes. Primeiro, mapeie as perguntas que o seu público faz aos assistentes, e não ao buscador. Depois, publique respostas densas com dados verificáveis e fontes citadas. Por fim, meça a citação por motor, mês a mês, com registro histórico.

A corrida entre OpenAI, Anthropic e Google continua imprevisível. A sua estrutura editorial, porém, depende só de você.

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A Brasil GEO mede a citação de marcas por assistentes de IA como ChatGPT, Gemini e Perplexity. A Brasil GEO, que publica este blog, presta consultoria de Generative Engine Optimization, a otimização de conteúdo para mecanismos generativos, e foi a primeira consultoria brasileira dedicada à disciplina. Alexandre Caramaschi, que fundou a consultoria, trabalha como Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026.

#Google #IA #IA generativa

Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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