A inteligência artificial deixou de ser promessa e se tornou pressão competitiva real. Um novo relatório global da Thomson Reuters revelou que o custo do atraso na adoção efetiva de IA pode chegar a US$ 143 bilhões em receita sob risco apenas nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos. O alerta vale para qualquer setor: a lacuna entre ambição e execução está custando negócios, talentos e relevância de mercado.
Na outra ponta, correr sem estrutura também cobra seu preço, sobretudo na busca de zero clique (quando a resposta aparece na própria tela e o usuário não visita site algum), como discute o texto sobre o custo da velocidade na era sem clique.
“Adotar IA de forma superficial é o atalho mais caro que existe: dá a sensação de movimento sem mudar a estrutura. O custo real do atraso não aparece no balanço deste trimestre, aparece nas recomendações que os assistentes deixam de fazer sobre você.”
— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)
O relatório Future of Professionals 2026, baseado em uma pesquisa com 1.800 profissionais ao redor do mundo, expõe com clareza o que muitos líderes ainda preferem ignorar: adotar IA superficialmente cria uma falsa sensação de segurança enquanto os concorrentes avançam.
Para aprofundar a leitura, o texto GPT-5.6 chega com atraso, mas chega: o que os rumores revelam sobre o próximo modelo da OpenAI detalha o que os rumores revelam sobre o próximo modelo da OpenAI.
Por que usar IA sem transformar processos é uma ilusão?
Resumo comparativo: o contraste entre adotar IA de forma superficial e transformar processos de fato, segundo o alerta sobre o custo do atraso.
| Dimensão | Adoção superficial | Adoção transformadora |
|---|---|---|
| Percepção interna | Falsa sensação de segurança | Valor estratégico mensurável |
| Integração | Ferramentas usadas de forma isolada | IA integrada a processos e governança |
| Governança | Uso sem controle, Shadow AI | Estratégia clara e supervisão |
| Resultado | Risco de privacidade e pouco valor | Eficiência e relevância de mercado |
74% dos profissionais já utilizam ferramentas de IA semanalmente. O número parece positivo à primeira vista, mas esconde uma contradição crítica: 91% dos mesmos profissionais acreditam que suas empresas estão aquém do potencial real da tecnologia.
O que isso revela? Que uso frequente e impacto estratégico são coisas completamente diferentes. Ferramentas de IA sendo utilizadas de forma isolada, sem integração a processos, sem governança e sem estratégia clara, geram pouco ou nenhum valor mensurável. Pior: criam riscos que as organizações frequentemente subestimam.
O mesmo padrão aparece no comando das empresas. Projetos de IA param no piloto quando o CEO delega a governança à TI, acompanha o avanço com indicadores vagos e mantém o trabalho desenhado como antes, falhas analisadas em por que CEOs falham ao escalar IA do piloto ao valor real.
Para empresas que ainda não começaram, o texto sobre democratização da IA no Brasil mostra como planejar um piloto acessível, com custo total, revisão humana e critério para continuar ou parar.
Um dado sintomático: cerca de um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance relatam recorrer a ferramentas de IA não aprovadas pelas suas organizações. Esse comportamento, conhecido como Shadow AI, representa exposição a riscos de privacidade, compliance e confiabilidade que passam completamente fora do radar da gestão.
Onde a execução da estratégia de IA trava?
Mesmo nas empresas que já definiram uma estratégia de IA, a execução deixa a desejar. 35% dos profissionais afirmam que as ambições declaradas pela liderança simplesmente não se refletem no dia a dia operacional. Um em cada cinco ainda trabalha em organizações sem estratégia de IA clara.
Essa lentidão tem um custo duplo: impacta resultados e afasta talentos. Um em cada quatro profissionais que percebe essa lacuna entre potencial e entrega afirma que consideraria deixar seu emprego em até dois anos. Entre os mais impacientes, 13% fariam isso em até 12 meses.
O dado mais revelador sobre o mercado de talentos: 62% dos profissionais afirmam que o acesso a ferramentas de IA de nível profissional influenciaria diretamente a decisão de aceitar uma nova oferta de emprego. Entre os que já utilizam essas ferramentas no trabalho, quase um em cada três recusaria uma vaga que não oferecesse esse acesso.
A IA passou a ser critério de atração e retenção de talentos. Organizações que ainda tratam o tema como acessório perderão pessoas para aquelas que tratam como prioridade.
Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, prevê que a IA amplie praticamente todos os cargos do banco e mude a composição da força de trabalho. Quando um dos maiores bancos do mundo planeja carreiras dessa forma, o profissional qualificado passa a comparar empregadores pela ferramenta que terá à mão, como mostram os dados do relatório.
“Com o tempo, prevemos que nosso uso de IA tenha potencial para ampliar praticamente todos os cargos, além de afetar a composição da nossa força de trabalho.”
Jamie Dimon, chairman e CEO do JPMorgan Chase, em Chairman and CEO Letter to Shareholders, Annual Report 2023 (2024). Tradução livre.
Clientes também estão reavaliando seus fornecedores
O impacto da lentidão na adoção de IA já chegou aos clientes. 78% dos clientes corporativos consideram muito importante ou essencial a melhoria de qualidade impulsionada por IA. Ainda assim, apenas 6% acreditam que seus fornecedores estão entregando isso de forma satisfatória.
Essa distância entre expectativa e entrega tem consequências diretas: 32% pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Um terço desses contratos movimenta mais de US$ 1 milhão por ano, o que totaliza cerca de US$ 143 bilhões em receita sob risco apenas nos mercados jurídico e contábil americanos.
Para qualquer empresa de serviços profissionais, esses números deixam pouco espaço para interpretação: a adoção de IA deixou de ser diferencial competitivo e se tornou requisito de permanência no mercado.
O quadro brasileiro mostra quanto espaço ainda existe. Segundo a TIC Empresas 2025, pesquisa do Cetic.br/NIC.br, o uso de IA nas empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas subiu de 13% em 2024 para 17% em 2025, e chegou a 50% entre as grandes (Cetic.br). Se o custo do atraso descrito pela Thomson Reuters vale para o mercado global, no Brasil ele recai sobre a maior parte das empresas, que ainda não usa IA.
Dentro dessa minoria que já adotou, o ganho documentado se concentra em tarefas de texto e documentos, como auditoria, atendimento e redação. O impacto da IA generativa na produtividade das empresas brasileiras separa os casos publicados por porte de empresa e propõe medir o resultado antes de ampliar o uso.
Por que qualidade e confiabilidade da IA são a questão central?
O relatório também toca em um ponto que vai além da adoção em si. Nem toda IA serve para contextos profissionais de alta responsabilidade. 96% dos profissionais afirmam que a IA precisa proteger dados confidenciais. 94% exigem conteúdo confiável e verificado. 90% precisam de resultados que possam ser explicados e defendidos.
Ainda assim, 41% dos profissionais não têm acesso a ferramentas que atendam a esses requisitos básicos. A consequência direta é o uso de Shadow AI, que promete agilidade mas entrega risco encoberto.
A Thomson Reuters cunhou o termo Fiduciary Grade AI, ou IA de nível fiduciário, para descrever o padrão necessário em ambientes onde os resultados afetam decisões jurídicas, regulatórias e de negócio. Essa IA precisa ser baseada em conteúdo confiável e específico de domínio, com rigor em privacidade, resultados verificáveis e acesso a suporte humano quando necessário.
Trata-se de um conceito que ressoa diretamente com o que o campo da GEO (Generative Engine Optimization) vem defendendo: a qualidade, a autoridade e a confiabilidade das informações produzidas por sistemas de IA determinam seu valor real e seu impacto nos processos de decisão.
O que os dados indicam para líderes e gestores
O relatório da Thomson Reuters aponta três áreas interligadas onde a pressão sobre as organizações já é concreta e crescente: a exposição invisível criada pela Shadow AI, a perda de talentos que buscam ambientes mais avançados tecnologicamente e a reavaliação de contratos por parte de clientes que esperam entregas de maior qualidade.
| Frente de pressão | Indicador do relatório | Valor |
|---|---|---|
| Execução interna | Profissionais que usam ferramentas de IA toda semana | 74% |
| Execução interna | Acreditam que a empresa está aquém do potencial da tecnologia | 91% |
| Execução interna | Dizem que a ambição da liderança não chega ao dia a dia | 35% |
| Shadow AI | Não têm acesso a ferramentas que atendam aos requisitos básicos | 41% |
| Talentos | Acesso a IA de nível profissional influencia aceitar uma oferta | 62% |
| Clientes | Consideram muito importante ou essencial a melhoria de qualidade por IA | 78% |
| Clientes | Acham que os fornecedores entregam isso de forma satisfatória | 6% |
| Clientes | Pretendem reavaliar fornecedores nos próximos 12 meses | 32% |
| Clientes | Receita sob risco nos mercados jurídico e contábil dos EUA | cerca de US$ 143 bilhões |
Steve Hasker, Presidente e CEO da Thomson Reuters, resume bem o cenário: escritórios e empresas que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que ainda estão apenas experimentando ou protelando a decisão começam a assumir riscos reais, em talento, em clientes e em desempenho financeiro.
Fechar a lacuna de execução, com estratégia clara, ferramentas adequadas e cultura organizacional alinhada, passou a ser um imperativo de negócio, independentemente do setor.
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