Inteligencia Artificial

O Custo do Atraso: Empresas que Ignoram a IA em 2026 Deixam US$ 143 Bilhões na Mesa

Alexandre Caramaschi
CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a tran

A inteligência artificial deixou de ser promessa e se tornou pressão competitiva real. Um novo relatório global da Thomson Reuters revelou que o custo do atraso na adoção efetiva de IA pode chegar a US$ 143 bilhões em receita sob risco apenas nos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos. O alerta vale para qualquer setor: a lacuna entre ambição e execução está custando negócios, talentos e relevância de mercado.

O relatório Future of Professionals 2026, baseado em uma pesquisa com 1.800 profissionais ao redor do mundo, expõe com clareza o que muitos líderes ainda preferem ignorar: adotar IA superficialmente cria uma falsa sensação de segurança enquanto os concorrentes avançam.


A ilusão do uso sem transformação

74% dos profissionais já utilizam ferramentas de IA semanalmente. O número parece positivo à primeira vista, mas esconde uma contradição crítica: 91% dos mesmos profissionais acreditam que suas empresas estão aquém do potencial real da tecnologia.

O que isso revela? Que uso frequente e impacto estratégico são coisas completamente diferentes. Ferramentas de IA sendo utilizadas de forma isolada, sem integração a processos, sem governança e sem estratégia clara, geram pouco ou nenhum valor mensurável. Pior: criam riscos que as organizações frequentemente subestimam.

Um dado sintomático: cerca de um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance relatam recorrer a ferramentas de IA não aprovadas pelas suas organizações. Esse comportamento, conhecido como Shadow AI, representa exposição a riscos de privacidade, compliance e confiabilidade que passam completamente fora do radar da gestão.


O problema da execução lenta

Mesmo nas empresas que já definiram uma estratégia de IA, a execução deixa a desejar. 35% dos profissionais afirmam que as ambições declaradas pela liderança simplesmente não se refletem no dia a dia operacional. Um em cada cinco ainda trabalha em organizações sem estratégia de IA clara.

Essa lentidão tem um custo duplo: impacta resultados e afasta talentos. Um em cada quatro profissionais que percebe essa lacuna entre potencial e entrega afirma que consideraria deixar seu emprego em até dois anos. Entre os mais impacientes, 13% fariam isso em até 12 meses.

O dado mais revelador sobre o mercado de talentos: 62% dos profissionais afirmam que o acesso a ferramentas de IA de nível profissional influenciaria diretamente a decisão de aceitar uma nova oferta de emprego. Entre os que já utilizam essas ferramentas no trabalho, quase um em cada três recusaria uma vaga que não oferecesse esse acesso.

A IA passou a ser critério de atração e retenção de talentos. Organizações que ainda tratam o tema como acessório perderão pessoas para aquelas que tratam como prioridade.


Clientes também estão reavaliando seus fornecedores

O impacto da lentidão na adoção de IA já chegou aos clientes. 78% dos clientes corporativos consideram muito importante ou essencial a melhoria de qualidade impulsionada por IA. Ainda assim, apenas 6% acreditam que seus fornecedores estão entregando isso de forma satisfatória.

Essa distância entre expectativa e entrega tem consequências diretas: 32% pretendem reavaliar seus fornecedores nos próximos 12 meses. Um terço desses contratos movimenta mais de US$ 1 milhão por ano, o que totaliza cerca de US$ 143 bilhões em receita sob risco apenas nos mercados jurídico e contábil americanos.

Para qualquer empresa de serviços profissionais, esses números deixam pouco espaço para interpretação: a adoção de IA deixou de ser diferencial competitivo e se tornou requisito de permanência no mercado.


A questão central: qualidade e confiabilidade da IA

O relatório também toca em um ponto que vai além da adoção em si. Nem toda IA serve para contextos profissionais de alta responsabilidade. 96% dos profissionais afirmam que a IA precisa proteger dados confidenciais. 94% exigem conteúdo confiável e verificado. 90% precisam de resultados que possam ser explicados e defendidos.

Ainda assim, 41% dos profissionais não têm acesso a ferramentas que atendam a esses requisitos básicos. A consequência direta é o uso de Shadow AI, que promete agilidade mas entrega risco encoberto.

A Thomson Reuters cunhou o termo Fiduciary Grade AI, ou IA de nível fiduciário, para descrever o padrão necessário em ambientes onde os resultados afetam decisões jurídicas, regulatórias e de negócio. Essa IA precisa ser baseada em conteúdo confiável e específico de domínio, com rigor em privacidade, resultados verificáveis e acesso a suporte humano quando necessário.

Trata-se de um conceito que ressoa diretamente com o que o campo da GEO (Generative Engine Optimization) vem defendendo: a qualidade, a autoridade e a confiabilidade das informações produzidas por sistemas de IA determinam seu valor real e seu impacto nos processos de decisão.


O que os dados indicam para líderes e gestores

O relatório da Thomson Reuters aponta três áreas interligadas onde a pressão sobre as organizações já é concreta e crescente: a exposição invisível criada pela Shadow AI, a perda de talentos que buscam ambientes mais avançados tecnologicamente e a reavaliação de contratos por parte de clientes que esperam entregas de maior qualidade.

Steve Hasker, Presidente e CEO da Thomson Reuters, resume bem o cenário: escritórios e empresas que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que ainda estão apenas experimentando ou protelando a decisão começam a assumir riscos reais, em talento, em clientes e em desempenho financeiro.

Fechar a lacuna de execução, com estratégia clara, ferramentas adequadas e cultura organizacional alinhada, passou a ser um imperativo de negócio, independentemente do setor.

Alexandre Caramaschi

CEO da Brasil GEO, responsável por liderar a transição estratégica das empresas brasileiras do modelo de "links azuis" para a era da resposta sintética e do comércio agêntico. Ex-CMO da Semantix e fundador da comunidade AI Brasil, Caramaschi consolidou sua trajetória como uma liderança reconhecida no ecossistema de inteligência artificial e marketing.À frente da Brasil GEO, conduzindo a missão de garantir que marcas brasileiras conquistem share of voice em motores generativos, fundamentado na tese de que, na nova economia dos agentes inteligentes, a autoridade algorítmica é o único caminho para evitar a invisibilidade digital.

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