Ataque com agente de inteligência artificial é a ofensiva em que um programa autônomo executa sozinho as etapas da invasão. Isto é, da varredura inicial ao roubo de credenciais. Segundo a Microsoft Threat Intelligence, em 21 de outubro de 2026, uma campanha assim alcançou mais de 2.250 ambientes do Microsoft 365. A empresa atribui a ação ao grupo Storm-0940.
◆ Resposta direta
O ataque entrou pelos aplicativos da ConnectWise já autorizados dentro das contas dos clientes. Segundo a Microsoft Threat Intelligence, em 21 de outubro de 2026, vários casos chegaram a acesso privilegiado em menos de três horas. A empresa declarou no mesmo documento que nenhum sistema, produto ou serviço próprio da Microsoft foi comprometido.
O que aconteceu no ataque com IA contra ambientes do Microsoft 365
A porta de entrada foi um fornecedor. Uma brecha na ConnectWise abriu o caminho, segundo o TecMundo, publicado pelo Estadão em 22 de outubro de 2026. Assim, invasores usaram conexões já confiáveis para alcançar ambientes de clientes na nuvem da Microsoft. A ConnectWise vende software de gerenciamento de tecnologia da informação.
A velocidade foi o diferencial. Em relatório de 21 de outubro de 2026, a Microsoft Threat Intelligence registrou casos de acesso privilegiado à nuvem em menos de três horas. Esse prazo conta desde o início da ação.
O volume também chama atenção. A mesma empresa contabilizou mais de 2.250 ambientes alcançados. No pico, as tentativas de autenticação chegaram a 2.900 por minuto.
Dentro das contas, o invasor foi fundo. Houve autoatribuição do papel de administrador global a partir de um aplicativo da ConnectWise. Além disso, o relatório da Microsoft aponta leitura em massa de segredos guardados no Azure Key Vault.
A campanha em números, pelo relatório da Microsoft Threat Intelligence
2.250
ambientes do Microsoft 365 alcançados
número mínimo declarado
151 mil
falhas de autenticação registradas
em 327 contas de oito organizações
menos de 3 horas
até o acesso privilegiado
em vários casos observados
Leitura: todos os números vêm do relatório da Microsoft Threat Intelligence, publicado em 21 de outubro de 2026 e atualizado no dia seguinte. Nenhuma auditoria independente havia sido publicada até essa data.
O que é o ARTEX, a ferramenta de IA usada no ataque
ARTEX é um arcabouço de testes de invasão de código aberto que funciona com vários agentes de modelo de linguagem. Além disso, ele aceita qualquer modelo de IA. Conforme a Microsoft Threat Intelligence, em documento de 21 de outubro de 2026, a ferramenta é escrita em Go, com interface em Next.js.
A autonomia é o ponto. O programa conduz um teste de invasão inteiro, do reconhecimento à extração de dados, com pouca interação humana. Enquanto isso, ele acumula num grafo os ativos e as falhas que encontra.
A ferramenta nasceu como instrumento legítimo de teste de segurança, e circula publicamente. Segundo a mesma análise, a interface abre em inglês, com opção de coreano, mandarim, espanhol e japonês.
Existe histórico recente de uso ofensivo. Também em outubro de 2026, segundo relatos públicos citados pela Microsoft, o ARTEX apareceu em invasões a instituições financeiras da Coreia do Sul.
Quem é o Storm-0940 e o que o grupo buscava
Storm-0940 é o nome de rastreamento que a Microsoft dá a um grupo alinhado ao Estado chinês. Conforme o relatório da empresa, de 21 de outubro de 2026, o grupo atua desde 2021 com foco em roubo de dados.
A combinação de técnicas explica o resultado. Segundo a análise do TecMundo, publicada pelo Estadão em 22 de outubro de 2026, o grupo juntou táticas antigas com automação por agentes. Pulverização de senha é a mais conhecida dessas táticas antigas.
A pulverização por si só falhou. Entre 10 e 14 de outubro de 2026, a Microsoft contou mais de 151 mil falhas de autenticação contra 327 contas de oito organizações. Já o pico chegou a 2.900 falhas por minuto no dia 11. Mesmo assim, nenhuma autenticação bem sucedida saiu dessa frente.
O caminho que funcionou foi outro. O grupo usou credenciais de aplicativos da ConnectWise que já tinham confiança dos sistemas. Assim, ele autenticou nos ambientes dos clientes sem passar por uma tela de acesso.
- ◷ Setembro de 2026
Primeira atividade com o ARTEX identificada pela Microsoft, contra centenas de organizações no mundo - ◷ 10 a 14 de outubro de 2026
Pulverização de senha contra 327 contas de oito organizações, com mais de 151 mil falhas - ◷ 11 de outubro de 2026
Pico de 2.900 falhas de autenticação por minuto - ◷ 15 de outubro de 2026
Primeiros relatos públicos do comprometimento do Cloud Backup da ConnectWise - ◷ 16 de outubro de 2026
A ConnectWise publica o aviso inicial aos clientes - ◷ 21 de outubro de 2026
A Microsoft Threat Intelligence divulga o relatório com a atribuição ao Storm-0940
Fonte: Microsoft Threat Intelligence, 21 de outubro de 2026.
Como a brecha na ConnectWise chegou aos clientes do Microsoft 365
O mecanismo é de cadeia de suprimentos. Aplicativos da ConnectWise instalados nos ambientes dos clientes já tinham permissão concedida. Portanto o invasor com as credenciais desses aplicativos entrou pela porta aberta.
A Microsoft listou os aplicativos envolvidos pelo identificador, em vez do nome visível. Conforme o relatório de 21 de outubro de 2026, entre eles aparecem o ConnectWise Cloud Backup e os conectores para Microsoft Teams e Microsoft Graph.
A ConnectWise reagiu tirando serviços do ar. Segundo o TecMundo, no Estadão, em 22 de outubro de 2026, a empresa suspendeu Cloud Backup, SaaS Security e Cloud Management.
“Atores estatais visam cada vez mais a cadeia de suprimentos de software porque uma única conexão confiável abre a porta para várias organizações.”
Manny Rivelo, presidente executivo da ConnectWise, em entrevista ao The Register, reproduzida pelo TecMundo no Estadão, 22 de outubro de 2026
A empresa afirma que os arquivos de backup seguem íntegros. De acordo com a nota da ConnectWise no centro de confiabilidade, eles continuam criptografados e isolados. Até agora, não há indício de comprometimento direto.
Quantas contas foram alcançadas e o que a Microsoft diz sobre invasão
Aqui existe uma diferença entre o que circulou e o que o relatório diz. Parte da cobertura tratou os 2.250 ambientes como invadidos. Enquanto isso, a Microsoft Threat Intelligence escreve que o grupo alcançou esses ambientes com tentativas de acesso.
A distinção muda o tamanho do estrago. Alcançar significa que houve tentativa de autenticação nesses ambientes. Ainda assim, a própria Microsoft registra que a maior parte do direcionamento falhou.
O resultado foi grave onde deu certo. O grupo obteve persistência privilegiada na nuvem em muitas organizações. Em vários casos, isso aconteceu em menos de três horas.
⚠ Atenção
Leia os números com o verbo que a fonte usou. Segundo a Microsoft Threat Intelligence, em 21 de outubro de 2026, mais de 2.250 ambientes foram alcançados por tentativas de acesso. Além disso, a pulverização de senha entre 10 e 14 de outubro não gerou nenhuma autenticação bem sucedida. Portanto, contar 2.250 como contas invadidas multiplica o incidente por um fator que a fonte não sustenta.
A Microsoft foi hackeada, minha empresa foi afetada e o que fazer agora
Quatro variações da mesma busca aparecem junto com a principal, e cada uma recebe resposta curta.
A Microsoft foi hackeada. A empresa declara que a atividade não resultou de comprometimento de sistemas, produtos ou serviços próprios. A entrada foi pelo aplicativo de um fornecedor, instalado dentro dos ambientes dos clientes.
Minha empresa foi afetada. O risco existe para quem usa produtos de nuvem da ConnectWise conectados ao Microsoft 365. Assim, a verificação começa pela busca dos identificadores dos aplicativos em todos os ambientes onde eles foram autorizados.
Qual a diferença entre esse ataque e um ataque tradicional. A diferença está na velocidade e no volume. Isso acontece porque o agente executa reconhecimento, roubo de credencial e movimentação sem esperar um operador humano.
O que fazer agora. A Microsoft recomenda manter as conexões afetadas da ConnectWise desativadas até a orientação formal de restauração. Antes de qualquer limpeza, preserve os registros.
Quais setores e serviços entraram na lista de afetados
A lista de setores é longa e global. Em 21 de outubro de 2026, a Microsoft Threat Intelligence nomeia aeroespacial e defesa, automotivo, químico, energia e serviços financeiros. Também entram governo, jurídico, manufatura, mídia, militar, semicondutores, software, tecnologia e organizações sem fins lucrativos.
Do lado do fornecedor, três serviços saíram do ar. Conforme a cobertura do TecMundo no Estadão, em 22 de outubro de 2026, a ConnectWise suspendeu Cloud Backup, SaaS Security e Cloud Management.
A tabela separa o que mudou entre um ataque conduzido por pessoas e um ataque conduzido por agentes.
| Critério | Ataque conduzido por pessoas | Campanha com agente de IA, caso ARTEX |
|---|---|---|
| Ritmo de tentativas | limitado pelo operador | pico de 2.900 por minuto |
| Tempo até o acesso privilegiado | dias ou semanas | menos de três horas em vários casos |
| Etapas automatizadas | algumas, com ferramentas isoladas | do reconhecimento à extração de dados |
| Janela da equipe de segurança | tempo para detectar e bloquear | reduzida pela velocidade da automação |
Fonte: Microsoft Threat Intelligence, 21 de outubro de 2026, e TecMundo no Estadão, 22 de outubro de 2026.
| Critério | Ataque conduzido por pessoas | Campanha com agente de IA, caso ARTEX |
|---|---|---|
| Ritmo de tentativas | limitado pelo operador | pico de 2.900 por minuto |
| Tempo até o acesso privilegiado | dias ou semanas | menos de três horas em vários casos |
| Etapas automatizadas | algumas, com ferramentas isoladas | do reconhecimento à extração de dados |
| Janela da equipe de segurança | tempo para detectar e bloquear | reduzida pela velocidade da automação |
Fonte: Microsoft Threat Intelligence, 21 de outubro de 2026, e TecMundo no Estadão, 22 de outubro de 2026.
O que a Microsoft recomenda fazer nos ambientes afetados
A primeira orientação é contra a reação instintiva. A Microsoft pede para não apagar os aplicativos corporativos de imediato. Afinal, isso destrói a configuração e as evidências da investigação.
A busca precisa ser pelo identificador. Procurar pelo nome visível deixa passar instalações renomeadas. Portanto a varredura usa o identificador em todos os ambientes onde o aplicativo foi autorizado.
A janela de revisão tem data. A empresa recomenda examinar a atividade desde pelo menos 15 de outubro de 2026. Quando os registros permitirem, estenda a revisão de acessos de entidade de serviço até 1º de outubro.
A ordem das etapas importa. Preservar registros de acesso e auditoria vem antes de remover credenciais não autorizadas. Depois dessa remoção, entra a rotação de credenciais.
Perguntas frequentes
O que foi o ataque com IA que atingiu o Microsoft 365?
Foi uma campanha do grupo Storm-0940 que usou o arcabouço ARTEX para automatizar invasões. Segundo a Microsoft Threat Intelligence, em 21 de outubro de 2026, ela alcançou mais de 2.250 ambientes do Microsoft 365. A brecha de origem estava na ConnectWise.
O que é o ARTEX?
ARTEX é um arcabouço de testes de invasão de código aberto, formado por vários agentes de modelo de linguagem. Ele executa reconhecimento, roubo de credenciais e extração de dados com pouca interação humana.
A Microsoft foi invadida nesse ataque?
A Microsoft declara que a atividade não resultou de comprometimento de sistemas, produtos ou serviços próprios. O acesso veio de aplicativos da ConnectWise já autorizados dentro dos ambientes dos clientes.
Quantas contas foram realmente invadidas?
O relatório fala em mais de 2.250 ambientes alcançados por tentativas de acesso. Além disso, ele registra que a maior parte do direcionamento falhou. A pulverização de senha entre 10 e 14 de outubro de 2026 não gerou nenhuma autenticação bem sucedida.
O que fazer se a minha empresa usa ConnectWise com Microsoft 365?
Mantenha as conexões afetadas desativadas até a orientação formal de restauração. Depois procure os aplicativos pelo identificador, preserve os registros e só então remova credenciais não autorizadas.
