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GEO para educação: como fazer a IA recomendar seus cursos

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

Para um curso aparecer quando o aluno pergunta a um assistente de IA “qual curso fazer”, a instituição precisa de três coisas: páginas de curso que respondam carga horária, preço, pré-requisito e resultado em texto direto; dados estruturados Course e EducationalOrganization coerentes com esse texto; e fontes externas que confirmem a mesma descrição.

Esse aluno que pergunta à IA já é numeroso no Brasil. A TIC Domicílios 2025, do Cetic.br/NIC.br, contou perto de 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais que usaram IA generativa nos três meses anteriores à entrevista, 32% dos usuários de internet. A desigualdade pesa no planejamento de uma EdTech: o uso chega a 69% dos internautas da classe A e fica em 16% nas classes D e E. Curso de pós-graduação e MBA disputa um público que já pesquisa no assistente; curso técnico de entrada ainda depende mais de busca tradicional, indicação e redes sociais.

“No setor de educação, a jornada começa numa pergunta conversacional e complexa, não num termo isolado; a instituição que estrutura metodologia e resultado de forma legível pela IA é citada como referência, e as demais somem do comparativo que o aluno realmente lê.”

— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)

O que muda quando o aluno pergunta em vez de buscar

Comparação: a mesma intenção de matrícula, feita como busca por termos e como pergunta a um assistente.

AspectoBusca tradicional na educaçãoPergunta a um assistente de IA
Como o aluno pesquisa“curso ciência de dados online”“Trabalho em marketing, tenho 6 horas por semana: qual curso de ciência de dados faço e quanto custa?”
O que decide a relevânciaPágina e termo coincidentesPágina que responde carga horária, pré-requisito, preço e resultado
Estrutura que ajudaTítulo e descrição da páginaTexto direto mais dados estruturados Course, CourseInstance e FAQPage coerentes com ele
Resultado para a instituiçãoPosição numa lista de linksEntrar (ou não) na lista curta de dois ou três cursos que o assistente recomenda

Assistentes com acesso à web, como ChatGPT com busca, Perplexity e o modo IA do Google, usam RAG (geração aumentada por recuperação: o modelo busca páginas na hora e escreve a resposta com base nelas). Numa pergunta como a da tabela, ele procura trechos que digam, sem ambiguidade, quantas horas o curso exige, para quem é, quanto custa e o que o aluno sai sabendo. Página de curso que esconde o preço num formulário ou descreve a metodologia só com adjetivos dá ao modelo pouco para citar.

Course e EducationalOrganization: exemplo aplicado e o que mudou no Google

Uma mudança de 2025 precisa entrar no planejamento. Em 12 de junho de 2025, o Google Search Central anunciou que deixaria de exibir o resultado enriquecido de Course Info, junto com outros seis tipos pouco usados, e a documentação foi retirada em setembro de 2025 (consulta em 10/10/2026). O mesmo comunicado registra que o uso desses dados estruturados fora da Busca do Google não é afetado. Na prática, a marcação Course deixou de render o carrossel de cursos, mas continua sendo a descrição legível por máquina da oferta, lida por qualquer sistema que processe a página.

O portal de cursos gratuitos da Brasil GEO, em alexandrecaramaschi.com/educacao, serve de exemplo concreto. Em 10 de outubro de 2026, a página declarava uma EducationalOrganization (a Brasil GEO), um Course para o conjunto dos cursos com isAccessibleForFree, público-alvo (EducationalAudience), lista do que ensina (teaches) e carga horária em courseWorkload, além de uma ItemList com cada curso como Course próprio. O trecho essencial tem esta forma:

{"@context":"https://schema.org","@graph":[
 {"@type":"EducationalOrganization","@id":"https://brasilgeo.ai/#organization",
  "name":"Brasil GEO","url":"https://brasilgeo.ai"},
 {"@type":"Course","name":"Nome do curso","description":"Para quem é e o que o aluno sai sabendo",
  "provider":{"@id":"https://brasilgeo.ai/#organization"},
  "inLanguage":"pt-BR","isAccessibleForFree":true,
  "teaches":["Generative Engine Optimization (GEO)"],
  "hasCourseInstance":{"@type":"CourseInstance","courseMode":"online","courseWorkload":"PT12H"},
  "offers":{"@type":"Offer","price":0,"priceCurrency":"BRL"}}
]}

A mesma leitura mostrou um erro que vale como alerta para qualquer instituição. Um dos blocos de dados do portal trazia a oferta com preço zero e, ao mesmo tempo, a categoria “Paid” (pago), enquanto outro bloco descrevia o mesmo conjunto de cursos com outro nome. Para um leitor humano a contradição passa despercebida; para um sistema que cruza fontes, ela é um sinal de que a informação não é confiável. A lista abaixo é a conferência que evita esse tipo de divergência.

  1. Um nome por curso. O nome no título da página, no Course e nos diretórios externos é o mesmo, sem variação de sigla.
  2. Preço e gratuidade sem contradição. price, isAccessibleForFree e o texto visível dizem a mesma coisa.
  3. Carga horária e modalidade explícitas. courseWorkload e courseMode batem com o que a página informa ao aluno.
  4. Instituição identificada. A EducationalOrganization tem @id estável e sameAs para perfis oficiais, e cada Course aponta para ela em provider.
  5. Perguntas reais na página. As dúvidas que chegam ao atendimento (certificado, pré-requisito, prazo de acesso) aparecem respondidas no texto e, quando cabem, num FAQPage.

Como testar se os seus cursos aparecem na resposta da IA

O teste cabe numa tarde e se repete todo mês. Escreva dez perguntas que um candidato faria, misturando as genéricas (“qual o melhor curso de GEO em português”) com as de comparação (“curso de GEO gratuito ou MBA em marketing digital”) e as de decisão (“o curso X dá certificado?”). Rode cada uma no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity, em sessão sem histórico, e registre a data, as instituições citadas, as fontes com link e se a descrição do seu curso está correta. Uma instituição que aparece nas perguntas de decisão e some nas genéricas tem conteúdo próprio bom e pouca menção externa; a situação inversa indica página de curso fraca.

Quando o curso falta na resposta, o diagnóstico começa pelas fontes que o assistente citou no lugar dele: quais páginas, de que tipo (blog de concorrente, portal de notícia, fórum, diretório de cursos) e com que nível de detalhe. Superar essas referências em clareza e em dado verificável é o caminho mais curto. Técnicas de GEO podem aumentar a visibilidade de uma fonte nas respostas de mecanismos generativos em até 40%, segundo o estudo de Princeton que deu nome à disciplina (Aggarwal et al., GEO: Generative Engine Optimization, KDD 2024); o ganho medido ali veio justamente de citar fontes, incluir estatísticas e escrever com clareza.

Formação de equipe também entra na conta. Coordenadores e gestores que vão conduzir esse trabalho precisam entender como a IA escolhe o que recomendar, e o blog trata do formato em workshop de IA para gestores: decisão e produtividade no marketing digital.

Material próprio é o que o assistente tem para citar

Descrição genérica de curso existe aos milhares; o que diferencia uma EdTech nas respostas é material que só ela tem. Relatório de empregabilidade de egressos com metodologia publicada, ementa completa por aula, taxa de conclusão com período informado e exemplos de projetos de alunos são o tipo de conteúdo que um modelo consegue citar com atribuição. Página de curso com informação de turma vencida, por outro lado, tende a ser preterida por fontes atualizadas, porque o assistente com busca na web compara datas.

Sal Khan, da Khan Academy, relata que a IA tem dificuldade para gerar na hora conteúdo alinhado ao currículo e rende mais quando combinada com material criado por especialistas. Para uma EdTech, esse material próprio é também o que um motor de resposta tem para citar, e é o que a separa de um resumo genérico sobre cursos.

“A IA não é boa, por exemplo, em gerar na hora conteúdo alinhado aos padrões curriculares. Aprendemos que ela funciona muito melhor quando combinada com o nosso conteúdo criado por especialistas humanos.”

Sal Khan, fundador e CEO da Khan Academy, em Khanmigo’s First Chapter Changed How I Think About AI: A note from Sal Khan (2026). Tradução livre.

Perguntas frequentes sobre GEO para cursos

Ainda vale marcar cursos com Course se o Google tirou o resultado enriquecido?

Sim, desde que a marcação descreva o que o texto visível já diz. O Google deixou de exibir o carrossel de cursos em 2025, mas informou que o uso fora da Busca não muda; a marcação continua sendo a forma padronizada de declarar preço, carga horária, modalidade e instituição para qualquer sistema que leia a página.

Curso gratuito tem mais chance de ser recomendado pela IA?

Não há estudo público que meça isso. O que se observa é que perguntas com “gratuito” ou “de graça” pedem cursos sem custo, e o assistente só consegue atendê-las quando a gratuidade está declarada sem contradição no texto e nos dados estruturados.

Com que frequência devo repetir o teste de presença?

Uma vez por mês com a mesma lista de perguntas, e de novo logo depois de abrir turma, mudar preço ou lançar curso. A comparação entre meses é o que mostra se as correções nas páginas estão surtindo efeito.

O primeiro passo prático é a conferência dos cinco itens da lista em três páginas de curso, as de maior procura. Feita a correção, a lista de dez perguntas roda no mês seguinte e mostra se o curso passou a entrar na recomendação.

Leia também, no blog: como o ChatGPT está mudando a forma como buscamos informação na internet.

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Dado de referência: em 19 de fevereiro de 2024, o Gartner previu que o volume de buscas em mecanismos tradicionais cairia 25% até 2026, com a migração dos usuários para assistentes de inteligência artificial (Gartner, 2024).

#GEO #Google #IA generativa #SEO

Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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