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Conteúdo sintético ou de valor: o que os modelos de IA priorizam

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

Os modelos de linguagem priorizam conteúdo de valor: texto com informação que não está em outro lugar, fonte citada e autor identificável. Conteúdo sintético, produzido em volume a partir do que já circula, repete o que o modelo já sabe e raramente vira fonte da resposta. Medições acadêmicas mostram que citar fontes e incluir estatísticas aumenta a chance de citação.

“Os modelos generativos aprenderam a distinguir conteúdo que apenas preenche espaço de conteúdo que muda uma decisão. Volume sintético dilui sua autoridade; o que a máquina prioriza é informação original, verificável e atribuível a uma fonte confiável.”

— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)

O que separa conteúdo sintético de conteúdo de valor

Quando os modelos generativos escolhem o que sustenta uma resposta, eles distinguem conteúdo que apenas preenche espaço daquele que muda uma decisão. A Brasil GEO resume abaixo os critérios que separam volume sintético de conteúdo de valor.

DimensãoConteúdo sintéticoConteúdo de valor
Função percebidaApenas preenche espaçoMuda uma decisão do leitor
Efeito na autoridadeDilui a autoridade da marcaReforça a marca como fonte confiável
Atributo priorizado pela IAVolume sem origem claraInformação original, verificável e atribuível
Estruturação dos dadosAmbíguo e de difícil interpretaçãoClareza semântica, com apoio de Schema Markup
Papel na resposta geradaDescartado como ruídoUsado como base factual da resposta

Os Large Language Models (LLMs) operam processando volumes massivos de dados não estruturados, porém, a precisão das respostas que eles entregam depende da clareza com que as informações são apresentadas durante a fase de rastreamento e indexação. O Schema Markup, em sua essência, funciona como um tradutor semântico que remove a ambiguidade do conteúdo. Quando um modelo como o Gemini acessa uma página, ele busca padrões que confirmem entidades, relações e atributos específicos.

Sites que utilizam JSON-LD (JavaScript Object Notation for Linked Data, um bloco de código que descreve a página para máquinas) facilitam essa leitura. Essa estrutura permite que a IA identifique com precisão o que é um preço de produto, quem é o autor de um artigo técnico ou quais são as especificações de um serviço B2B. A marcação, porém, só descreve o que está no texto: um artigo sintético bem marcado continua sintético.

Segundo dados do Web Data Commons, projeto da Universidade de Mannheim, a extração do Common Crawl de outubro de 2024 encontrou dados estruturados (JSON-LD, Microdata, RDFa ou Microformats) em 51,25% de 2,4 bilhões de páginas HTML analisadas. Com metade das páginas já marcadas, a diferença entre sites passa a depender da precisão das propriedades declaradas, porque a simples presença do bloco deixou de separar um site do outro.

Estratégias Avançadas para Entidades e Autoridade

A consolidação da autoridade de uma marca no ambiente de busca generativa passa pela correta marcação de entidades. Os modelos generativos priorizam fontes que demonstram o que o Google define como E-E-A-T (Experience, Expertise, Authoritativeness, and Trustworthiness). O uso de Schema do tipo Person e Organization é obrigatório para conectar o conteúdo ao seu criador. No caso da Brasil GEO, vincular cada artigo a perfis técnicos consolidados como o de Alexandre Caramaschi fortalece a confiança do modelo na veracidade da informação.

A propriedade sameAs conecta o site oficial a perfis verificados em redes profissionais e bases como Wikidata e ORCID, e ajuda a IA a reconhecer que autor e empresa são as mesmas entidades citadas em outros lugares. FAQPage e Speakable organizam o conteúdo em trechos de pergunta e resposta, mais fáceis de citar em assistentes de voz e de texto.

Exemplo lado a lado: o parágrafo que a IA aproveita

A diferença aparece melhor lado a lado. Os dois pares abaixo tratam do mesmo assunto; o primeiro parágrafo de cada par é o tipo de texto que um gerador produz em volume, e o segundo traz dado, fonte e data.

Parágrafo sintéticoParágrafo de valorO que o segundo acrescenta
“Os dados estruturados são cada vez mais usados na web e se tornaram fundamentais para a visibilidade.”“Na extração do Common Crawl de outubro de 2024, o Web Data Commons, da Universidade de Mannheim, encontrou dados estruturados em 51,25% de 2,4 bilhões de páginas HTML.”Número, fonte nomeada, data e tamanho da amostra; o leitor pode conferir
“A IA prefere conteúdo original e de qualidade, por isso é importante investir em bons textos.”“No estudo GEO apresentado no KDD 2024, acrescentar citação de fonte, citação de especialista e estatística elevou a visibilidade das páginas nas respostas geradas em 30% a 40%; repetir palavra-chave não melhorou e, no teste com o Perplexity, ficou 10% abaixo do texto original.”Método, resultado medido e o contraexemplo, que muda a decisão de quem escreve

O segundo exemplo descreve o próprio mecanismo da preferência. No estudo GEO de Princeton e colaboradores (KDD 2024), os pesquisadores reescreveram páginas com nove técnicas e mediram quanto de cada uma aparecia nas respostas: as três que mais ganharam foram citar fontes, incluir citações de especialistas e acrescentar estatísticas, enquanto o enchimento com palavra-chave ficou abaixo do texto sem otimização. Para conferir na sua marca, publique os dois tipos de parágrafo sobre um tema próprio, espere a página ser rastreada e pergunte ao ChatGPT, ao Gemini e ao Perplexity sobre o tema, anotando qual versão aparece citada e com que data.

Conforme estudo da McKinsey de outubro de 2025, em muitos casos os sites próprios de uma marca respondem por apenas 5% a 10% das fontes que a busca com IA consulta ao responder sobre ela. Dado proprietário publicado só no próprio domínio disputa uma fatia pequena das fontes; para virar referência, o mesmo dado precisa circular em veículos, bases e perfis de terceiros que o modelo também consulta.

A orientação do Google, publicada em 2023, corrige um exagero comum no debate: usar IA não dá vantagem ao texto, e o critério continua sendo utilidade, originalidade e E-E-A-T. Para quem produz em escala, o filtro decisivo é a presença de dado ou experiência que o modelo base ainda não tem.

“Usar IA não dá ao conteúdo nenhuma vantagem especial. É só conteúdo. Se for útil, original e atender a aspectos de E-E-A-T, pode ir bem na busca. Se não for, pode não ir.”

Danny Sullivan, Public Liaison for Search, e Chris Nelson, da equipe de Search Quality do Google, em Google Search’s guidance about AI-generated content (Google Search Central Blog, 08/02/2023) (2023). Tradução livre.

O Schema Markup ajuda a sinalizar esse valor. Ao utilizar marcações de Dataset, uma empresa pode indicar que possui dados exclusivos e pesquisas proprietárias. Isso torna o site uma fonte primária indispensável para a IA. Quando o modelo percebe que um domínio oferece informações estruturadas, atualizadas e únicas, ele tende a priorizar essa fonte em detrimento de portais que apenas replicam o senso comum de forma genérica.

Um estudo da data.world publicado em 2023 dá a medida desse ganho: o GPT-4 acertou 16% das perguntas corporativas feitas diretamente sobre um banco SQL e 54% quando as mesmas perguntas foram feitas sobre uma representação em grafo de conhecimento. O teste usou perguntas corporativas sobre um banco de dados, e não páginas da web, mas o mecanismo é o mesmo que o Schema explora: informação com entidades e relações explícitas reduz o espaço para o modelo errar.

Implementação Técnica e Manutenção da Semântica

A preparação para a era GEO exige uma auditoria técnica rigorosa. O código JSON-LD deve ser injetado de forma limpa, preferencialmente no cabeçalho da página, para garantir que seja a primeira informação capturada pelos crawlers. É necessário evitar o erro comum de aplicar marcações genéricas. A precisão técnica é o que define o sucesso da estratégia:

A manutenção desses dados deve acompanhar o texto. Quando um número muda, o parágrafo e a marcação mudam juntos, e a data de atualização aparece na página.

Quatro critérios para conferir se o conteúdo tem valor

Os critérios abaixo são verificáveis por qualquer editor antes de publicar e seguem as perguntas do guia de conteúdo útil do Google, que pergunta se o texto traz informação, pesquisa ou análise original e se vai além do óbvio. Um texto que falha nos quatro está perto do que as políticas de spam do Google chamam de abuso de conteúdo em escala: muitas páginas sem valor para o leitor, produzidas por IA ou não.

  1. Dado: o texto traz pelo menos um número, caso ou resultado que não aparece nas dez primeiras páginas sobre o tema?
  2. Fonte: cada número tem origem nomeada e link que o leitor consegue abrir?
  3. Experiência: há algo que só quem fez o trabalho saberia, como um erro cometido, um prazo real ou um custo?
  4. Data: o leitor sabe quando o dado foi medido e quando o texto foi revisto?

O primeiro critério é o que mais separa os dois tipos de texto, e é o tema do artigo em que mostramos por que conteúdo que não muda decisão vira ruído, o princípio do information gain. Os outros três tornam o dado utilizável: sem fonte, a IA não tem como confirmá-lo; sem data, não sabe se ainda vale.

Como aplicar o filtro numa operação que publica em escala

Quem produz dezenas de textos por mês não precisa parar de usar IA na redação; precisa mudar o que entra no texto. O briefing de cada artigo passa a exigir o dado próprio antes da escrita: um número da operação, um caso de cliente autorizado, um teste feito pela equipe. Sem esse insumo, o artigo não entra na pauta, porque sairia igual aos que já existem.

A revisão final aplica os quatro critérios e corta o que sobra: frases que poderiam estar em qualquer site do setor, adjetivos sem medida e conclusões que repetem a abertura. Na prática, o texto fica mais curto e mais citável. O passo seguinte é medir: escolha cinco artigos antigos de maior tráfego, acrescente a cada um um dado próprio com fonte e data, e repita as perguntas aos assistentes em 30 dias.

Para entender a mudança de comportamento que torna esse filtro necessário, leia como o ChatGPT está mudando a forma como buscamos informação

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Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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