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Como estruturar UGC para alimentar IAs generativas no Brasil

Alexandre Caramaschi
Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Ch

Estruturar UGC (conteúdo gerado pelo usuário: avaliações, reclamações, perguntas e comentários escritos por clientes) para as IAs significa três coisas: pedir avaliações onde o assistente lê, no Google e no Reclame AQUI; responder a cada uma com dados que a resposta da IA possa reaproveitar; e marcar no site, com schema Review e AggregateRating, as avaliações sobre produtos.

“Conteúdo gerado pelo usuário é a prova social que a IA consegue ler, desde que esteja estruturado e tropicalizado para o contexto local; reputação algorítmica se constrói com vozes reais organizadas, não com discurso institucional que o modelo descarta como genérico.”

— Alexandre Caramaschi, Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI), Founder da Brasil GEO, cofundador da NAIA, cofundador da AI Brasil e ex-CMO da Semantix (Nasdaq)

Você acessa o ChatGPT ou o Gemini para buscar referências sobre um software corporativo. Em vez de uma lista de links, recebe uma resposta direta em texto. O modelo baseia essa resposta em avaliações de usuários, fóruns e discussões regionais. O problema surge quando a inteligência artificial interpreta mal o contexto brasileiro do conteúdo gerado pelo usuário e recomenda um concorrente ou inventa informações sobre sua empresa. Essa perda de controle sobre a narrativa afeta diretamente as receitas e a percepção de mercado.

No Brasil, esse material se concentra em poucos lugares: as avaliações do Perfil da Empresa no Google e do Google Maps, as reclamações e respostas no Reclame AQUI, as avaliações de marketplaces e as discussões em fóruns e redes. Cada um tem regra própria de publicação e de cálculo de nota, e a empresa que conhece essas regras consegue influenciar o que o assistente encontra sem recorrer a avaliação falsa, que as plataformas proíbem.

O público que consulta essas ferramentas no Brasil já é grande. Segundo a TIC Domicílios 2025, pesquisa do Cetic.br/NIC.br, 32% dos usuários de internet no país usaram IA generativa nos três meses anteriores à pesquisa, cerca de 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais (Cetic.br). É para esse público que a resposta sobre um software corporativo precisa sair com dados e avaliações brasileiras, e não com referências de outro mercado.

O peso das avaliações escritas por clientes tem medida. Segundo a BrightLocal (2026), 97% dos consumidores leem avaliações antes de escolher um negócio local, e 82% leem resumos de avaliações gerados por IA (pesquisa da BrightLocal). O levantamento é dos EUA e do comércio local, e aponta o caminho para o UGC brasileiro: a avaliação estruturada vira matéria-prima de resumo automático, e o resumo passa a ser a primeira coisa que o cliente lê.

Passo a passo: como pedir, organizar e marcar avaliações

O trabalho tem cinco etapas, e as duas primeiras rendem mais que qualquer ajuste técnico, porque aumentam o volume de avaliações recentes e específicas que o assistente tem para ler.

  1. Peça no momento certo e pelo link oficial. A ajuda do Perfil da Empresa no Google orienta a pedir que o cliente acesse o link de avaliação do Google ou leia um QR code, e proíbe oferecer desconto, brinde ou serviço em troca de avaliação, prática que a página classifica como engajamento falso (consulta em 10/10/2026). O pedido funciona melhor logo depois da entrega ou do atendimento resolvido.
  2. Peça detalhe, e não nota. Uma pergunta como “o que você resolveu com o produto?” puxa avaliações com nome de produto, cidade e situação de uso, o tipo de frase que a IA reaproveita numa recomendação. “Gostei, recomendo” não informa nada ao modelo.
  3. Responda a todas, com fato. A resposta da empresa também é UGC lido pelo assistente. Corrija informação errada com dado verificável (prazo, política de troca, versão do produto) e evite resposta-padrão copiada, que soa igual em centenas de páginas.
  4. Feche o ciclo no Reclame AQUI. Responder e resolver muda os índices que formam a reputação pública da empresa, como mostra a tabela da próxima seção.
  5. Marque no site o que for avaliação de produto. O schema Review (avaliação individual) e o AggregateRating (nota média com número de avaliações) descrevem as avaliações em linguagem de máquina, no formato JSON-LD (um bloco de código invisível ao leitor que descreve a página para robôs).

Na quinta etapa há uma restrição que muita empresa desconhece. Segundo a documentação de avaliações do Google Search Central (consulta em 10/10/2026), páginas que usam LocalBusiness ou Organization não exibem estrelas quando a avaliação é sobre a própria empresa, as chamadas avaliações em causa própria. A marcação vale para produtos, cursos, softwares e eventos, e precisa trazer nome do item avaliado, autor com nome válido, nota e, no agregado, o número de avaliações. Um exemplo mínimo para a página de um produto:

{
  "@context": "https://schema.org",
  "@type": "Product",
  "name": "Fone sem fio X200",
  "aggregateRating": {
    "@type": "AggregateRating",
    "ratingValue": "4,6",
    "reviewCount": "128"
  },
  "review": [{
    "@type": "Review",
    "author": {"@type": "Person", "name": "Mariana S."},
    "reviewRating": {"@type": "Rating", "ratingValue": "5"},
    "reviewBody": "Uso no metrô de São Paulo todo dia; a bateria aguenta a semana."
  }]
}

Os números do exemplo são ilustrativos e precisam vir das avaliações reais exibidas na página; marcar uma nota que o visitante não vê viola as diretrizes do Google. No JSON publicado, o valor decimal vai com ponto (4.6).

O que é a reputação algorítmica nas buscas sem clique

Resumo comparativo: o discurso institucional genérico é descartado pelos modelos, enquanto vozes reais e tropicalizadas viram prova social que a IA consegue ler.

CritérioDiscurso institucional genéricoVozes reais tropicalizadas
Leitura pela IAdescartado como genéricolido como prova social confiável
Contexto brasileiroignora gírias e regionalismosadaptado ao contexto local
Efeito na marcarisco de invisibilidade algorítmicacitação como autoridade
Base de construçãodiscurso institucionalvozes reais organizadas

A reputação algorítmica reflete a forma como os modelos de linguagem compreendem e descrevem uma entidade corporativa. Nas buscas sem clique, o usuário recebe a resposta final na própria plataforma de inteligência artificial. A marca precisa garantir que os dados de treinamento dos modelos contenham informações precisas e estruturadas de forma acessível.

Como o conteúdo de usuários afeta a visibilidade em IAs

Conteúdo de usuário desorganizado vira matéria-prima de erro na resposta da IA. O modelo lê avaliações, fóruns e discussões regionais e, quando não entende gírias, regionalismos e padrões de consumo locais, pode recomendar um concorrente ou inventar informações sobre a empresa. A organização por JSON-LD e Schema Markup traduz essas avaliações e menções regionais para uma linguagem legível por máquinas e reduz a ambiguidade que leva ao erro.

Os modelos de linguagem utilizam fóruns, avaliações e discussões públicas para formular respostas sobre produtos e serviços. Um volume alto de conteúdo gerado por usuários sem a devida organização técnica confunde os algoritmos. A implementação de planos de ação para visibilidade em motores generativos resolve esse conflito e orienta a inteligência artificial para a resposta correta.

No Brasil, a plataforma que concentra boa parte dessa voz tem nome, e o CEO do Reclame AQUI explica por que os modelos a tratam como fonte. Organizar o conteúdo de usuários começa por responder bem onde o cliente já reclama.

“O LLM confia no Reclame AQUI porque ele entende que existe ali uma fonte confiável de voz do cliente”

Edu Neves, CEO e cofundador do Reclame AQUI, em Reputação de marca na era da IA: o que o CX pode extrair com o Reclame AQUI (entrevista ao Blog da Garrido) (2026).

O caminho para a empresa é responder no lugar onde o cliente já fala, com a informação correta, para que a próxima leitura do modelo encontre a versão certa ao lado da reclamação.

Como o Reclame AQUI calcula a reputação que a IA encontra

A reputação exibida no Reclame AQUI é uma conta com quatro índices, e cada um depende de uma ação da empresa. A fórmula publicada na página de perguntas frequentes do Reclame AQUI (atualizada em 06/10/2026, consulta em 10/10/2026) é AR = ((IR × 2) + (MA × 10 × 3) + (IS × 3) + (IN × 2)) / 100.

ÍndiceO que medePeso na fórmulaO que a empresa faz para mover
IR (índice de resposta)Parcela das reclamações respondidas2Responder todas; abaixo de 50% de respostas, a reputação vira “Não recomendada”
MA (nota média do consumidor)Média das notas de 0 a 10 dadas pelo reclamante3 (multiplicada por 10)Resolver de fato e pedir a avaliação ao encerrar
IS (índice de solução)Parcela das reclamações que o consumidor considerou resolvidas3Fechar o caso com o cliente antes de pedir a avaliação
IN (voltaria a fazer negócio)Parcela que diz que voltaria a comprar2Acompanhar o pós-atendimento

A mesma página informa que o tempo médio de resposta não entra na conta e que o cálculo considera as reclamações postadas no período analisado. Como o assistente costuma reproduzir a faixa de reputação e o percentual de solução quando alguém pergunta se uma empresa é confiável, mexer nesses índices muda diretamente a frase que aparece na resposta.

Como testar se as avaliações aparecem na resposta da IA

O teste leva meia hora e deve ser repetido a cada mês, com as mesmas perguntas, para comparar a evolução. Faça no ChatGPT, no Gemini e no Perplexity três perguntas que um cliente faria: “a [empresa] é confiável?”, “quais as reclamações mais comuns da [empresa]?” e “qual a melhor opção de [categoria] em [cidade]?”. Anote a data, as fontes citadas em cada resposta e se a nota ou o percentual citado bate com o que está publicado hoje no Google e no Reclame AQUI. Resposta com número velho indica que o assistente leu uma página antiga, e a correção começa por gerar avaliações recentes, não por mudar o site. O peso que o histórico de uma marca tem nessa decisão está detalhado no artigo sobre como o histórico na web e a confiança definem se a IA recomenda sua marca.

Como preparar uma marca corporativa para o modelo B2A

O Business-to-Agent exige que as informações da empresa estejam prontas para consumo por agentes autônomos. A marca precisa auditar sua presença digital, corrigir alucinações e aplicar marcações de dados que facilitem a leitura por máquinas. O objetivo final é garantir que a inteligência artificial escolha a sua empresa durante processos automatizados de pesquisa e aquisição.

https://brasilgeo.ai/aibrasil/

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Texto de Alexandre Caramaschi, fundador da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI).

Alexandre Caramaschi

Alexandre Caramaschi é Founder da Brasil GEO e Chief Strategy Officer da Nuvini (Nasdaq: NVNI) desde julho de 2026, além de cofundador da NAIA. Foi CMO da Semantix, empresa brasileira de dados e IA listada na Nasdaq, de novembro de 2024 a fevereiro de 2026. Cofundou em 2024 a AI Brasil, comunidade que declara mais de 14 mil membros (aibrasil.ai, setembro de 2026). Biografia completa e fontes em alexandrecaramaschi.com/quem-e-alexandre-caramaschi.

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